O Ministério da Fazenda participou, em 5/5, do “Seminário Clima e Saneamento: Sustentabilidade, Adaptabilidade e o Financiamento para o Setor”, promovido pelo Núcleo de Estudos, Pesquisa e Projetos Clima e Saneamento da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) e pela Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento (AESBE).
Realizado em São Paulo, o encontro reuniu especialistas, representantes de governos, prestadores de serviços, instituições públicas, entidades do setor e financiadores nacionais e multilaterais para debater os impactos das mudanças climáticas nos serviços de saneamento, os desafios de adaptação, as possibilidades de financiamento para o setor e seu atual momento no contexto brasileiro.
O coordenador do Programa Eco Invest no Tesouro Nacional, Mário Gouvêa, participou do painel “Explorando Atuais e Novas Oportunidades de Financiamento em Âmbito Nacional”. Na ocasião, ele abordou o programa, criado para impulsionar investimentos privados sustentáveis e atrair capital externo para projetos de longo prazo, e destacou que a iniciativa foi elaborada como um instrumento transversal de financiamento sustentável.
“O Eco Invest não é um programa de um único setor. Ele funciona como um guarda-chuva para viabilizar projetos estratégicos focados na indústria verde, recuperação de biomas, infraestrutura para lidar com os efeitos das mudanças do clima e de inovação tecnológica para a Transformação Ecológica, energia limpa, agro sustentável, gestão ambiental e infraestrutura verde. E o saneamento claramente se insere nessa agenda, especialmente diante dos desafios crescentes impostos pelas mudanças climáticas”, afirmou.
O coordenador explicou sobre o funcionamento do programa aos participantes cujo foco é mobilizar capital privado com apoio do setor público. “A lógica é o setor público atuar como catalisador criando condições para que o investimento privado participe mais ativamente. O programa nasce com essa vocação de acelerar o uso desse capital, inclusive em parceria com os bancos.”
Ele também ressaltou que o setor de saneamento vive um momento de maior protagonismo, impulsionado tanto pelo volume de investimentos quanto pela urgência climática. “O saneamento está em alta, sim. O volume de investimentos aumentou e isso é estratégico. Infraestrutura sem participação pública não se alavanca sozinha, e o Marco do Saneamento trouxe diretrizes importantes. Agora, com a intensificação de eventos climáticos extremos — enchentes, por exemplo, que afetam drasticamente regiões brasileiras de acordo com a estação do ano —, surge uma demanda concreta por soluções estruturais e o Eco Invest pode apoiar exatamente esses segmentos, fomentando soluções em colaboração com o setor financeiro”, disse.
Outro ponto abordado foi o potencial da inovação tecnológica no setor. “Estamos olhando também para o uso de inteligência artificial como aliada no monitoramento de rios, vazão, áreas de escoamento e até na execução de obras. Nesse sentido, acompanhamos de perto startups, empresas em expansão e até spin-offs de grandes concessionárias, voltadas ao desenvolvimento tecnológico, que atuam nessa vertente. Isso abre um campo relevante de investimento e inovação dentro do saneamento”, acrescentou.
Na mediação do painel, Christiane Parreira, coordenadora de programa na NCS/FESPSP, reforçou a conexão do Eco Invest com a agenda ambiental do setor. “O programa foi estruturado justamente para apoiar a transformação ecológica, e o saneamento faz parte desse processo. Ele deixa de ser apenas uma questão de infraestrutura básica e passa a integrar uma agenda mais ampla de sustentabilidade”, afirmou. “O papel do Tesouro é aportar esse capital catalítico inicial, criando condições para atrair o investimento privado, que é essencial para ampliar a escala dos projetos e garantir mais recursos para o setor”.
O gerente nacional de Infraestrutura de Atacado da Caixa Econômica Federal, Danilo Tangerino, ressaltou que o setor passou a ocupar uma posição estratégica. “O saneamento deixou de ser visto apenas como infraestrutura básica e passou a ser encarado como um vetor de desenvolvimento, inclusive dentro da agenda climática. Ainda há desafios importantes, como a distribuição desigual dos recursos e a velocidade na execução dos investimentos, mas o reposicionamento do setor é evidente”, afirmou.
O head de Project Finance de Infraestrutura do Banco do Brasil, Luiz Teme, e o chefe do departamento de saneamento ambiental do BNDES, Eduardo Christensen Nali, concordam e destacaram durante o seminário o importante avanço do segmento no Brasil nos últimos anos. “O saneamento hoje se tornou a bola da vez. Os investimentos têm crescido muito, especialmente após o Marco do Saneamento, o que reforça a importância do setor para o desenvolvimento econômico e social do país”, destacou Teme.
Link da noticia – Ministério da Fazenda
![05/05/2026 - [STN] Evento Seminário Clima e Saneamento: Sustentabilidade, Adaptabilidade e Financiamento para o setor.](https://live.staticflickr.com/65535/55256150150_13ab32c46a_b.jpg)