Mercados de carbono, finanças sustentáveis e transformação ecológica estiveram entre os temas debatidos pela delegação do Ministério da Fazenda em Xangai, nesta quinta-feira (25/6), durante missão oficial à China liderada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan. A agenda incluiu o Fórum Brasil-China de Finanças e Investimentos Verdes, com representantes dos governos e do setor empresarial dos dois países.
A secretária extraordinária do Mercado de Carbono, Cristina Reis, apresentou os avanços do Brasil na implementação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) e destacou o papel do mercado regulado de carbono na agenda econômica do país. Segundo ela, a política busca apoiar a redução de emissões, estimular inovação, ampliar a competitividade da economia brasileira e atrair investimentos para atividades sustentáveis.
“A cooperação entre Brasil e China em mercados de carbono não trata apenas de emissões. Trata de desenvolvimento, indústria, investimento, inovação e futuro. Temos a oportunidade de mostrar que a economia de baixo carbono pode gerar benefícios concretos para a população e fortalecer o papel das economias emergentes na construção de uma nova ordem econômica sustentável”, afirmou.
Mercado de carbono
A secretária ressaltou que a transformação ecológica é uma agenda econômica de longo prazo. A estratégia combina sustentabilidade, reindustrialização, financiamento sustentável, empregos de qualidade e novas oportunidades para a população. Nesse contexto, os mercados regulados de carbono criam previsibilidade para investimentos e incentivam setores produtivos a avançar em estratégias de descarbonização.
Cristina Reis também destacou o momento de regulamentação da Lei nº 15.042, marco legal do SBCE. Entre os temas em desenvolvimento estão as normas relacionadas ao monitoramento, ao relato e à verificação das emissões, além da certificação das Reduções ou Remoções Certificadas de Emissões, que poderão ser utilizadas no sistema brasileiro.
Financiamento e cooperação
A agenda em Xangai também incluiu a apresentação de outros instrumentos conduzidos pelo Ministério da Fazenda. O secretário de Assuntos Internacionais, Mathias Alencastro, tratou da Plataforma Brasileira para Investimentos Climáticos e da proposta do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF). O assessor especial do ministro, Rafael Dubeux, apresentou iniciativas relacionadas ao hidrogênio de baixo carbono e à Taxonomia Sustentável Brasileira. Já Mário Gouveia apresentou o Eco Invest Brasil, instrumento voltado à mobilização de capital privado para projetos sustentáveis.
Um dos pontos abordados na missão foi o 5º leilão do Eco Invest Brasil, voltado a ampliar oportunidades de financiamento para inovação, desenvolvimento tecnológico e novas metodologias de descarbonização em setores da economia. Esses investimentos podem contribuir para a geração de créditos de carbono de alta integridade e fortalecer a implementação do mercado regulado brasileiro.
A integração entre instrumentos de financiamento, como o Eco Invest Brasil e o Fundo Clima, e a implementação do mercado regulado de carbono demonstra a coordenação da agenda do Ministério da Fazenda para impulsionar a transformação ecológica. A estratégia busca conectar política climática, desenvolvimento produtivo, inovação, investimentos e inserção competitiva do Brasil nas cadeias globais de baixo carbono.
A cooperação com a China também foi tratada como uma nova frente da parceria bilateral. Os dois países discutem formas de aproximar experiências em governança de mercados de carbono, metodologias de mensuração, infraestrutura de registros, política industrial e estratégias de descarbonização.
Para Cristina Reis, a agenda demonstra que a transição para uma economia de baixo carbono pode apoiar o desenvolvimento, a inclusão produtiva e a geração de oportunidades.
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