FIAGROs listados por categoria
O que é um FIAGRO?
O Fundo de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (FIAGRO) é um veículo de investimento coletivo, regulado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e criado pela Lei nº 14.130/2021, que reúne recursos de vários investidores para aplicar em ativos ligados ao agronegócio — desde imóveis rurais e participações em empresas do setor até títulos de crédito lastreados em recebíveis do agronegócio (como CRA, CDCA e CPR).
Assim como os FIIs, as cotas de um FIAGRO são negociadas na B3 como se fossem ações, o patrimônio do fundo é segregado do de sua administradora, e a gestão é feita por um administrador e, na maioria dos casos, por um gestor especializado, ambos fiscalizados pela CVM. A regulamentação também exige a distribuição de, no mínimo, 95% do lucro caixa apurado em cada semestre aos cotistas.
A Lei nº 14.130/2021 estendeu ao FIAGRO a mesma isenção de Imposto de Renda sobre os rendimentos distribuídos à pessoa física que já valia para os FIIs (Lei nº 11.033/2004, art. 3º, inciso III), desde que o fundo tenha no mínimo 50 cotistas, suas cotas sejam negociadas exclusivamente em bolsa ou mercado de balcão organizado, e o cotista não detenha 10% ou mais das cotas do fundo. O ganho de capital na venda das cotas é tributado à alíquota de 20%, sem isenção para operações comuns.
É importante não confundir o valor patrimonial de uma cota (o que o fundo realmente vale, dividido pelo número de cotas) com o preço negociado na bolsa — os dois podem divergir bastante, formando o indicador P/VP tão usado para avaliar se um FIAGRO está "caro" ou "barato" frente ao seu patrimônio.
Categorias de FIAGRO neste site: como calculamos
Diferente do FII, a CVM e a B3 não publicam uma classificação oficial de FIAGRO por tipo de estratégia. Para ajudar na navegação, calculamos aqui uma categoria própria a partir da composição de ativos declarada por cada fundo no informe mensal da CVM: somamos o que está aplicado em cada uma das 3 frentes abaixo e, se uma delas representar 60% ou mais do total investido, o fundo entra nessa categoria — caso contrário, ele é classificado como "Híbrido". Esta classificação não é oficial da CVM, da ANBIMA ou da B3 — é apenas uma organização criada por este site para facilitar a comparação entre fundos.
Imóveis Rurais
O que investe: propriedades rurais físicas — fazendas, terras agrícolas, áreas de produção — adquiridas para explorar via arrendamento a produtores ou parcerias agrícolas, gerando renda a partir do uso da terra.
Principais riscos: risco de safra e clima (secas, geadas, pragas afetando a produtividade da terra e a capacidade de pagamento do arrendatário), desvalorização do imóvel rural em ciclos de baixa do setor, concentração geográfica ou de cultura, e menor liquidez do ativo subjacente (vender uma propriedade rural é lento e custoso).
Participações Societárias
O que investe: participação acionária ou societária em empresas que atuam nas cadeias produtivas do agronegócio — produtoras, processadoras, tradings, entre outras — em vez de investir diretamente em imóveis ou títulos de crédito.
Principais riscos: risco de negócio da empresa investida (gestão, concorrência, endividamento), menor liquidez desse tipo de participação, e exposição indireta a preços de commodities e ciclos do agronegócio através do resultado da empresa.
Créditos do Agronegócio (Papel)
O que investe: títulos de crédito lastreados em recebíveis do agronegócio, como Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA), Cédulas de Produto Rural (CPR, física ou financeira) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCA). O fundo empresta recursos (via esses títulos) a produtores e empresas do setor, recebendo de volta com juros.
Principais riscos: risco de crédito (o emissor ou o produtor rural não honrar o pagamento — calote, agravado por quebra de safra), risco de preço de commodities (recebíveis atrelados ao preço de produtos agrícolas oscilam com o mercado internacional), e risco de taxa de juros (títulos indexados a índices de preços ou pré-fixados perdem valor de mercado quando os juros sobem).
Híbrido
O que investe: combinação deliberada de duas ou mais das frentes acima (imóveis rurais, participações societárias, créditos do agronegócio), sem que nenhuma delas represente 60% ou mais do total investido — buscando diversificar as fontes de risco e retorno dentro do agronegócio.
Principais riscos: soma, em proporções variáveis, os riscos das frentes que combina — a análise exige entender qual delas pesa mais na carteira do fundo em um dado momento.
Riscos comuns a todos os FIAGROs
Independentemente da categoria, todo FIAGRO negociado em bolsa está sujeito a:
- Risco de mercado: o preço da cota na B3 oscila com a oferta e demanda, podendo ficar bem acima ou abaixo do valor patrimonial (P/VP), especialmente em momentos de estresse.
- Risco de liquidez: nem todo FIAGRO tem volume diário alto — em fundos menos líquidos, vender uma posição grande pode exigir aceitar um preço pior.
- Risco de preço de commodities e clima: boa parte da receita subjacente do agronegócio depende do preço internacional de produtos agrícolas e de condições climáticas (safra), fatores fora do controle do fundo ou do gestor.
- Risco de taxa de juros: a alta da taxa Selic/juros de mercado tende a reduzir o preço dos FIAGROs, já que passam a competir com títulos de renda fixa de baixo risco pagando mais.
- Risco de concentração: fundos com poucos ativos, poucas culturas ou poucos devedores ficam mais expostos a um evento negativo isolado.
- Risco de gestão: decisões de alocação, negociação de contratos e escolha de ativos dependem da competência do administrador/gestor.
- Risco regulatório e tributário: mudanças na legislação (inclusive na isenção de IR sobre os rendimentos) podem alterar a atratividade da classe.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo — não constitui recomendação de compra ou venda de nenhum ativo. Rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. Antes de investir, avalie seu perfil de risco e, se necessário, consulte um profissional certificado.
