Home / Noticias / Blog / PF investiga a contribuição de R$ 97 milhões do instituto de previdência de Maceió no Master.

PF investiga a contribuição de R$ 97 milhões do instituto de previdência de Maceió no Master.

PF apura aporte de R$ 97 milhões de instituto de previdência de Maceió no Master

A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) conduziram, nesta segunda-feira (10), uma operação para intensificar as investigações sobre alegadas irregularidades na aplicação de R$ 97 milhões do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) em operações financeiras do Banco Master.

O Banco Master, anteriormente de propriedade do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, foi liquidado extrajudicialmente em novembro de 2025, por ordem do Banco Central (BC), que alegou que a instituição havia infringido normas do Sistema Financeiro Nacional e enfrentava uma grave crise de liquidez.

Oito mandados de busca e apreensão, emitidos pelo ministro André Mendonça do Supremo Tribunal Federal (STF), foram executados em localidades de Alagoas e São Paulo.

Alvos da operação incluem:

– João Felipe Alves Borges, atual secretário de Fazenda de Maceió, que era membro do Conselho de Administração do Iprev durante os eventos investigados.

– Ronnie Reyner Teixeira Mota, ex-diretor-presidente do Iprev;

– Gustavo Antônio Rodrigues de Souza, ex-coordenador-geral de Investimentos do Iprev;

– Renan Foglia Calamia, diretor da empresa de consultoria Crédito & Mercado;

– Marília Alexandre de Lima Alves, integrante da Secretaria Municipal da Fazenda;

– Marcelo Brasileiro Santos, membro do Comitê de Investimentos do Iprev.

Mendonça autorizou os agentes federais a apreender computadores, discos rígidos, pendrives e outras mídias; telefones pessoais ou corporativos; documentos, agendas, anotações, contratos, comprovantes financeiros e outros elementos probatórios em residências e estabelecimentos ligados aos seis investigados, assim como nas sedes do Iprev e da Crédito & Mercado de Valores Mobiliários LTDA.

De acordo com a PF, a consultoria foi contratada pelo Iprev e teria participado na gestão do credenciamento, na elaboração e validação de análises e da documentação das operações com o Master, configurando a “terceirização indevida da competência administrativa” do instituto previdenciário.

Além de permitir as buscas, Mendonça decretou a indisponibilidade de bens móveis e imóveis, assim como valores pertencentes a Borges, Mota, Souza, Calamia, Alves e Santos, até o montante global de R$ 97 milhões.

A PF aponta suspeitas de possível gestão fraudulenta em duas aplicações do Iprev em letras financeiras emitidas pelo Master. Nas operações, o instituto aplicou R$ 97 milhões em dezembro de 2023 e, em maio de 2024, mais R$ 17 mil.

As investigações visam esclarecer as circunstâncias relativas ao processo de credenciamento, cotação, análise de risco, governança e tomada de decisão que precederam tais investimentos.

Em sua decisão, o ministro André Mendonça informou que, ao solicitar autorização judicial para as buscas e apreensões, a PF apresentou indícios de “possível direcionamento dos investimentos e exposição excessiva do patrimônio previdenciário a ativos de elevado risco e baixa liquidez”.

“Conforme a afirmação da autoridade policial, as Autorizações de Aplicação e Resgate (APRs) foram preenchidas com justificativas genéricas e padrões, sem análise comparativa de alternativas, consideração adequada do risco de crédito, avaliação de liquidez, exame da cláusula de subordinação ou justificativa concreta para a escolha do Banco Master”, destacou Mendonça em seu despacho.

Em nota, o Iprev declarou que “os atos referentes aos investimentos seguiram todas as normativas legais e administrativas”. Segundo o instituto, o patrimônio cresceu de aproximadamente R$ 400 milhões, em 2021, para mais de R$ 1,6 bilhão atualmente, o que assegura “a capacidade de pagamento de aposentados e pensionistas”. O Iprev também afirmou que está colaborando com as autoridades.

A reportagem ainda não conseguiu contato com os investigados mencionados. O espaço permanece aberto para manifestações dos envolvidos.

Link da matéria