O Ministério da Fazenda e o Tesouro Nacional, em parceria com entidades dos setores financeiro e produtivo, participaram nesta quinta-feira (27/8), do encontro estratégico “5º Leilão Eco Invest Brasil: como transformar inovação para a transição em projetos financiáveis”. O evento, organizado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), ampliou o debate sobre a nova etapa do programa, voltada ao financiamento de tecnologias para a transição climática.
A iniciativa prevê o uso de recursos públicos para reduzir riscos de projetos de inovação e estimular a participação de investidores privados. O objetivo é apoiar tecnologias desenvolvidas por startups e empresas de modo geral, além de iniciativas voltadas às cadeias contempladas pelo leilão.
Durante a abertura, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, destacou o papel do capital público na redução de riscos para investimentos em tecnologias em desenvolvimento.
“Estamos aportando recursos públicos como uma tranche de primeira perda (first loss) para dar segurança e atratividade aos investidores, garantindo que as inovações brasileiras alcancem escala de mercado e impulsionem nossa soberania tecnológica”, afirmou Ceron.
A proposta está conectada ao diagnóstico do estudo exploratório “Rota DeepTechs Climáticas: Estratégias de De-risking e Blended Finance para impulsionar inovações científicas diante da crise do clima”, desenvolvido pela Wylinka e pela Din4mo. O levantamento analisou startups de base científica, as chamadas deep techs, que desenvolvem tecnologias voltadas ao enfrentamento das mudanças climáticas.
Segundo Paulo Mendonça, diretor da Wylinka, uma das etapas de maior risco ocorre entre o desenvolvimento da tecnologia em laboratório e a validação comercial. Esse período, conhecido como “vale da morte” tecnológico, corresponde aos níveis de maturidade TRL 5 a TRL 7.
“Menos de 10% das nossas patentes universitárias se convertem hoje em produtos comerciais. Superar essa travessia exige infraestruturas de teste compartilhadas, clientes-âncora e capital paciente”, afirmou Mendonça.
Para apoiar diferentes estágios de desenvolvimento tecnológico, o Tesouro Nacional estruturou três instrumentos financeiros. O membro do Comitê Executivo do Programa Eco Invest Brasil, Mario Gouvêa, apresentou os detalhes do certame.
Os novos Fundos de Inovação contarão com R$ 1,5 bilhão em capital catalítico, com capacidade de atrair até duas vezes esse valor em investimentos adicionais. Os fundos poderão atuar por meio de mútuo conversível ou venture debt e apoiar projetos entre os níveis TRL 1 e TRL 7. Pelo menos 10% da carteira deverá ser destinada a parcerias com universidades e Institutos de Ciência e Tecnologia (ICTs).
O capital do 5º Leilão do Eco Invest Brasil será direcionado a cadeias de valor consideradas estratégicas para a transição sustentável do país. Entre elas estão combustíveis verdes avançados, como o combustível sustentável de aviação (SAF) e e-fuels; sistemas de baterias e minerais críticos; química verde e biomateriais; bioinsumos agrícolas; inteligência artificial aplicada à automação; e soluções para a circularidade de resíduos industriais e urbanos.
O programa disponibilizará até R$ 2,5 bilhões em capital catalítico para instituições financeiras que apresentarem propostas para atrair capital estrangeiro, com meta mínima de 15%, mobilizar investimentos privados e ampliar parcerias com universidades brasileiras.
Com o novo leilão, o Eco Invest Brasil amplia a atuação voltada ao financiamento de tecnologias de base científica e à conexão entre pesquisa, desenvolvimento tecnológico e mercado.
Esta matéria foi produzida durante o defeso eleitoral (de 4 de julho de 2026 a 25 de outubro de 2026) e não foi divulgada em cumprimento às vedações legais estabelecidas pela Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997). Este conteúdo está sendo divulgado após o prazo de vedação estabelecido pela legislação.
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