Até 19 de setembro, o Brasil está implementando uma nova fase para aumentar a capacidade de realizar pesquisas científicas em microgravidade no espaço.![]()
A Operação Potiguar 2, que acontece no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), em Parnamirim, no Rio Grande do Norte, está avaliando em condições reais de voo o sistema de recuperação da Plataforma Suborbital de Microgravidade Recuperável (PSM-R).
O ambiente de microgravidade proporciona condições únicas para o desenvolvimento de pesquisas que não são possíveis na superfície da Terra. Entre as áreas beneficiadas estão estudos sobre materiais, fluidos, combustão, biologia, medicamentos e agricultura espacial.
A plataforma será lançada pelo veículo de sondagem VS-30 V16, criado pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE). A missão está programada para ocorrer de 31 de agosto a 19 de setembro, envolvendo cerca de 160 militares e servidores civis na preparação, integração, lançamento e recuperação da carga.
O objetivo principal da segunda fase da Operação Potiguar é assegurar que o sistema de recuperação da plataforma opere conforme o planejado durante o voo. A fase inicial da operação, realizada em 2024, focou principalmente na validação dos procedimentos e sistemas relacionados ao lançamento.
A recuperação assegura que a plataforma e os equipamentos retornem para análise após o voo. Os dados coletados serão valiosos para avaliar os sistemas e auxiliar no desenvolvimento de futuras missões científicas em microgravidade.
Plataforma brasileira
O VS-30 V16 mede aproximadamente 9 metros de comprimento, 600 milímetros de diâmetro e pesa cerca de 1,6 tonelada. As simulações para a preparação da missão indicam que o foguete poderá atingir cerca de 100 quilômetros de altitude e percorrer aproximadamente 90 quilômetros. A carga útil, a PSM-R, tem um peso estimado de 401 quilos.
A plataforma inclui todos os sistemas necessários para operação durante o voo e para retorno à superfície. Isso abrange um sistema de recuperação por paraquedas, módulos para experimentos, módulo de serviço e controle, um sistema de gás frio, anéis de balanceamento e um dispositivo conhecido como ioiô, que auxilia no controle da velocidade de rotação antes da separação da carga útil.
De acordo com a Agência Espacial Brasileira (AEB), a plataforma faz parte do Programa Microgravidade, que seleciona experimentos científicos e tecnológicos para serem conduzidos em voos suborbitais e orbitais.
Teste de recuperação
O sistema que será avaliado durante a missão é uma etapa crucial para tornar a plataforma uma estrutura capaz de suportar diferentes experimentos científicos.
Durante o voo, os sistemas a bordo serão monitorados por meios de telemetria e rastreamento. Após o retorno da carga útil, os dados coletados serão avaliados pelas equipes responsáveis pela operação.
O Centro de Lançamento da Barreira do Inferno também coordena procedimentos de segurança e o monitoramento do veículo. Essa operação requer sistemas de rastreamento e telemetria, além de cooperação com as autoridades responsáveis pelo controle do espaço aéreo e marítimo.
Inaugurado em 1965, o CLBI foi o primeiro centro de lançamentos espaciais da América do Sul.
Segundo a FAB, essa unidade já participou de mais de 400 lançamentos de foguetes e monitorou mais de 3 mil veículos. Entre suas atividades estão o rastreamento de foguetes Ariane, em parceria com a Agência Espacial Europeia, e o apoio ao monitoramento de lançamentos a partir do Centro de Lançamento de Alcântara.




