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MP das Apostas: descubra as mudanças e as datas para reembolso de valores

Bets reduzem consumo e atividade econômica, diz pesquisa da USP

Com a justificativa de saúde pública, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta sexta-feira (25) uma medida provisória (MP) que encerra a exploração, oferta, intermediação e publicidade das chamadas bets no Brasil. A determinação abrange tanto as apostas esportivas quanto os jogos online, em locais físicos e virtuais, e inclui as autorizações concedidas por estados e pelo Distrito Federal.

A medida não afeta outras modalidades de loteria que possuem autorização prevista em lei.

Quais são as mudanças?

Com a publicação da MP, as empresas que atuavam legalmente no país não poderão mais oferecer apostas nem realizar publicidade sobre a atividade.

A medida ainda estabelece um cronograma para o encerramento das plataformas e a devolução dos valores remanescentes nas contas dos apostadores.

•    25 de setembro: publicação da MP e início da proibição de novos investimentos;

•    5 de outubro, às 23h59: fim do prazo para solicitação voluntária de retirada dos valores;

•    6 de outubro: sites e aplicativos de apostas devem ser desativados;

•    7 e 8 de outubro: empresas devem informar aos bancos sobre os saldos disponíveis, detalhados por CPF;

•    9 a 14 de outubro: instituições financeiras devem devolver os valores aos apostadores;

•    A partir de 14 de outubro: se houver impedimentos para a devolução, a Caixa Econômica Federal ficará responsável pelos recursos e efetuará o pagamento aos apostadores.

Sobre a publicidade?

As empresas também deverão eliminar anúncios e materiais de patrocínio.

O prazo para a retirada voluntária vai até 5 de outubro e inclui publicidade veiculada em mídias físicas e peças publicitárias no exterior.

A partir da publicação da MP, novas ações de divulgação das bets são proibidas.

Haverá compensação financeira?

De acordo com o governo, a revogação das autorizações ocorre por interesse público.

Por isso, a MP determina que as empresas não terão direito a compensação por:

•    lucros cessantes;

•    investimentos realizados;

•    expectativa de continuidade das atividades;

•    reembolso total ou parcial dos valores pagos pelas concessões.

Até o momento, 85 outorgas foram concedidas para a exploração de apostas de quota fixa, cada uma custando R$ 30 milhões, totalizando R$ 2,55 bilhões pagos pelas empresas no processo de concessão.

E se houver descumprimento?

A MP prevê sanções administrativas para pessoas físicas e jurídicas que não respeitarem as novas normas.

As penalidades podem incluir:

•    advertência;

•    multas de até R$ 2 bilhões;

•    suspensão parcial das atividades;

•    suspensão total das atividades, no caso de empresas.

Proposta de lei prevê prisão

Além da medida provisória, o governo enviará ao Congresso um projeto de lei que estabelece crimes específicos relacionados às apostas de quota fixa.

A proposta define cinco ações que poderão ser consideradas crimes e necessita ser discutida e aprovada pelo Congresso para entrar em vigor.

Entre as ações previstas estão:

•    Explorar apostas de quota fixa: pena de 4 a 6 anos de reclusão;

•    Publicar apostas ou captar apostadores: 2 a 4 anos e multa;

•    Utilizar dados pessoais para captar apostadores: 2 a 4 anos e multa, com possibilidade de aumento da pena em circunstâncias específicas;

•    Facilitar financeiramente a exploração: 2 a 4 anos e multa;

•    Oferecer aplicativos de internet para apostas: 2 a 4 anos e multa, com agravantes em determinadas situações.

O projeto também prevê o agravamento da pena quando houver o uso de dados de saúde, histórico de apostas ou informações de crianças e adolescentes, assim como em situações em que mecanismos de verificação de idade ou localização forem contornados.

Como será a fiscalização?

O governo afirma que planeja intensificar o combate ao mercado ilegal após o fechamento das plataformas autorizadas.

Os ministérios da Fazenda e da Justiça devem atuar no bloqueio de sites irregulares. Entre as ações previstas estão:

•    bloqueio de domínios;

•    remoção de aplicativos;

•    restrição de meios de pagamento;

•    bloqueio de contas utilizadas ilegalmente;

•    rastreamento de recursos movimentados pelas plataformas.

A Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda atualmente utiliza mecanismos de monitoramento do mercado ilegal.

A MP também cria um Comitê Institucional de Fiscalização e Combate à Exploração Ilegal de Apostas, coordenado pela Casa Civil.

Quais foram os motivos da decisão do governo?

O governo apresenta a saúde pública e os impactos financeiros das apostas como algumas das principais justificativas para a decisão.

De acordo com os dados divulgados pelo Executivo, os transtornos relacionados ao jogo podem ser associados a problemas como ansiedade, depressão, distúrbios do sono e do humor, conflitos familiares e dificuldades financeiras.

O governo também menciona o aumento da demanda do Sistema Único de Saúde (SUS) relacionada a problemas com apostas.

Entre 2018 e 2025, os atendimentos relacionados ao jogo patológico e problemas com apostas cresceram cerca de 140%, de acordo com as informações apresentadas pelo governo. Até 2028, caso não fossem tomadas medidas, a demanda aumentaria em mais 104%.

O governo cita um estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde que estima em R$ 38,8 bilhões anuais o custo social ligado aos jogos. Deste total, R$ 30,6 bilhões (quase 79%) estão associados à saúde, incluindo suicídios, perda de qualidade de vida vinculada à depressão e tratamentos médicos.

E quanto aos apostadores?

A principal orientação neste momento é seguir o calendário estabelecido pela MP.

Aqueles que possuem valores nas plataformas terão até 5 de outubro, às 23h59, para solicitar voluntariamente a retirada.

Após esse prazo, inicia-se o processo de identificação e devolução dos saldos disponíveis pelas instituições financeiras.

O governo também mantém uma plataforma de autoexclusão para restringir o acesso às casas de apostas autorizadas, uma ferramenta criada antes da decisão de encerrar o mercado.

O que vem a seguir?

A MP entra em vigor imediatamente após sua publicação, mas o processo legislativo continua no Congresso Nacional. O Parlamento tem até 120 dias para votar o texto.

Simultaneamente, o projeto que cria os cinco crimes relacionados às bets ainda necessita ser analisado pelos deputados e senadores.

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