No topo do Morro do Boa Vista, em Niterói, região metropolitana do Rio de Janeiro, um vasto espaço de vegetação rasteira agora abriga uma série de painéis solares. Além de transformar a paisagem, a usina de energia renovável instalada na encosta verde gerou uma economia de R$ 5 milhões para o município.
No último final de semana, a prefeitura de Niterói inaugurou a usina, que ocupa uma área de 36 mil metros quadrados (m²), correspondente a aproximadamente cinco campos de futebol.
Mais de 2 mil módulos fotovoltaicos foram instalados no local, que está próximo a uma comunidade com quase 1,8 mil habitantes, conforme o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O projeto-piloto teve um investimento de R$ 7 milhões, o que significa que, em dois anos, a economia com energia elétrica será suficiente para cobrir esse custo, segundo a prefeitura.
A expectativa é de que a usina solar na comunidade produza aproximadamente 150 mil quilowatts-hora (kWh) de energia mensalmente. Essa energia será utilizada para abastecer equipamentos públicos do município, o que é suficiente para atender 19 creches, segundo os realizadores do projeto.
Energia e segurança de encosta
Além do foco na energia, o projeto-piloto trouxe para a comunidade Boa Vista melhorias em infraestrutura, como recuperação da vegetação, sistemas de drenagem e captação de água da chuva.
Com capacidade de cerca de 30 mil litros, o sistema de reaproveitamento de água da chuva poderá ser utilizado na limpeza dos painéis fotovoltaicos, em suporte a eventuais batalhas contra incêndios, além de ajudar a prevenir a erosão nas encostas.
Dependendo da avaliação do projeto-piloto, a iniciativa pode ser expandida para outras comunidades da cidade.
Modelo
De acordo com o professor Lino Marujo, chefe do Departamento de Engenharia Industrial da Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o projeto tem potencial para servir como modelo e benchmarking (comparação com projetos de referência) para outras cidades.
“Essa iniciativa combina geração de energia renovável, captação de recursos hídricos e redução de riscos de deslizamentos”, avalia.
O professor destaca que, além dos benefícios ambientais, há também um potencial ganho socioeconômico “ao se conectar com a comunidade local, agregando e disseminando conhecimentos em tecnologias sustentáveis e gerando empregos na região”.
“Em um país como o nosso, onde há abundância de solo e alta incidência solar, projetos como esse devem ser cada vez mais promovidos e aprimorados, trazendo valor à sociedade, ao meio ambiente e à economia”, conclui Marujo, que também é professor do MBA Executivo em Economia do Petróleo, Gás e Energia na Escola Politécnica da UFRJ.
Salto da energia solar
A energia solar é considerada limpa, pois sua geração de eletricidade não emite poluentes atmosféricos ou gases de efeito estufa, que contribuem para o aquecimento global.
A cada ano, a geração de energia pelos painéis solares tem ganhado espaço na matriz elétrica do país. Entre 2024 e 2025, foi a fonte energética que mais cresceu, com um aumento de 24,7%, segundo estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia.
Em 2025, a energia solar se tornou a terceira principal fonte de energia elétrica, representando 11,4% da matriz, ficando atrás apenas da energia hidrelétrica (51,2%) e eólica (14,9%).







