O mercado financeiro brasileiro fechou outubro sob intensa pressão, com a valorização do dólar e uma queda significativa na bolsa de valores. Na sexta-feira (30), a moeda americana subiu aproximadamente 1%, encerrando perto de R$ 5,45, enquanto o Ibovespa caiu 0,75%, mantendo-se em 167,9 mil pontos.
Durante a semana, o dólar acumulou uma valorização superior a 9%, o maior aumento desde a crise financeira de 2008. O principal índice da B3 enfrentou a pior queda semanal desde março de 2020, quando a pandemia de covid-19 teve seu início.
No cenário nacional, o desempenho dos ativos refletiu os ajustes do mercado após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além das incertezas sobre a política fiscal do Brasil. Em termos internacionais, a forte desvalorização das ações de empresas de tecnologia e inteligência artificial pressionou o dólar e as bolsas em diversos países.
Números do dia
- Dólar à vista: R$ 5,446 (+1,09%);
- Máxima do dólar no dia: R$ 5,463, por volta das 16h;
- Ibovespa: 167.921,80 pontos (-0,75%);
- Dólar na semana: +9,15%;
- Ibovespa na semana: -18,12%;
- Dólar em outubro: +5,27%;
- Ibovespa em outubro: -9,88%.
Câmbio
O dólar comercial encerrou a sexta-feira com uma alta de 1,09%, cotado a R$ 5,446, marcando o fechamento mais alto de 2026. Durante o dia, a moeda atingiu o valor de R$ 5,463, antes de reduzir parte dos ganhos.
Na semana após o segundo turno das eleições presidenciais, o dólar acumulou uma alta de 9,15%, representando a maior valorização semanal desde outubro de 2008, durante a crise financeira global.
Em outubro, a moeda americana subiu 5,27%. Assim, ela acumula uma valorização de 0,81% no ano.
A volatilidade observada na primeira metade do pregão foi em parte atribuída à formação da Ptax de fim de mês, uma taxa calculada pelo Banco Central que serve como referência para a liquidação de contratos futuros de câmbio.
A pressão sobre o real também foi afetada pela reavaliação das posições dos investidores após os resultados eleitorais. O mercado manteve-se atento à formação da equipe econômica do novo governo e ao anúncio de medidas relacionadas às contas públicas.
Outro aspecto foi a busca por proteção cambial antes do fim de semana prolongado devido ao feriado de Finados, na segunda-feira (2). No cenário internacional, a moeda americana voltou a se valorizar frente a outras moedas de países emergentes, em um dia marcado por turbulências nas ações de empresas de tecnologia.
Bolsa acumula perdas
O Ibovespa finalizou o pregão desta sexta-feira com uma queda de 0,75%, a 167.921,80 pontos. Esse resultado representou o quinto dia consecutivo de queda do principal índice da Bolsa brasileira.
Na semana, o indicador registrou uma desvalorização de 18,12%, a maior desde março de 2020, quando teve uma retração de 18,88% devido aos impactos iniciais da pandemia de covid-19.
O desempenho mensal também foi negativo. No mês de outubro, o Ibovespa recuou 9,88%, a pior queda desde junho de 2022, quando a queda foi de 11,5%.
A pressão sobre as ações brasileiras se intensificou após a reeleição de Lula. No primeiro pregão seguinte ao resultado eleitoral, na segunda-feira (26), a queda do índice acionou o circuit breaker, que interrompe temporariamente as negociações em caso de perda significativa.
Durante a semana, a retirada de recursos estrangeiros também impôs pressão sobre os ativos. Dados da B3 mostram uma retirada líquida de quase R$ 7,6 bilhões do mercado secundário de ações nos três primeiros dias da semana.
Cenário externo
Além das incertezas internas, o mercado brasileiro observou um ambiente internacional desfavorável, caracterizado pela cautela dos investidores em relação às empresas de tecnologia dos Estados Unidos e às perspectivas para a inflação e taxas de juros globais.
Em Nova York, o índice S&P 500 encerrou o dia com uma queda de 1,82%, refletindo parte das preocupações em relação aos resultados de grandes empresas de tecnologia e aos investimentos em inteligência artificial.
No mercado cambial, o índice do dólar, que mede o desempenho da moeda americana em relação a uma cesta de seis moedas fortes, estava em alta de 0,01%, a 101,890 pontos, às 17h31.
*Com informações da Reuters




