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Dólar atinge R$ 5,19 após declaração mais rígida do presidente do Fed

Dólar fecha estável, mas acumula queda de 1,82% em julho

Em meio à agitação causada pelo tom mais rigoroso do Banco Central dos Estados Unidos, o dólar voltou a se aproximar de R$ 5,20 nesta sexta-feira (28). A bolsa de valores resistiu, registrando a oitava sessão consecutiva de altas.

Os mercados reagiram à postura mais firme do presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, em relação à inflação nos Estados Unidos, o que aumentou as expectativas de um possível aumento dos juros em setembro.

Principais números

  •     Dólar à vista: R$ 5,196 (0,62%);
  •     Dólar na semana: alta de 1,06%;
  •     Ibovespa: 175.664,62 pontos (0,3%);
  •     Ibovespa na semana: alta de 2,71%.

Câmbio

O dólar comercial operou em alta durante a maior parte da sessão, acompanhando a valorização da moeda americana no exterior após o discurso de Warsh no simpósio de Jackson Hole, evento anual que reúne presidentes de bancos centrais nos Estados Unidos.

A moeda chegou a cair para R$ 5,1581 na abertura, mas ganhou força ao longo da manhã e atingiu a máxima de R$ 5,23, com alta de 1,30%, por volta das 13h18. No final do dia, desacelerou, encerrando a semana cotada a R$ 5,196 (0,62%).

Com o resultado desta sexta-feira, o dólar acumulou alta de 1,06% na semana. No acumulado do ano, no entanto, a moeda ainda apresenta queda de 5,34%.

A valorização do dólar ocorreu após Warsh declarar, em seu primeiro discurso no Jackson Hole, que o Federal Reserve ainda terá trabalho pela frente, caso não haja confiança de que a inflação subjacente (excluindo alimentos, energia e hipotecas) esteja voltando de maneira clara e rápida à meta de 2%.

A declaração elevou os rendimentos dos títulos do Tesouro americano e fortaleceu as apostas de um possível aumento de juros nos Estados Unidos em setembro. O título de dois anos do Tesouro, particularmente sensível às expectativas sobre a política monetária do Fed, chegou a subir mais de 0,1 ponto percentual, atingindo rendimento de 4,35%.

O índice DXY, que monitora o dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, subia 0,57% no final da tarde, alcançando os 99,668 pontos.

Mercado de trabalho

No Brasil, os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) também impactaram as expectativas para os juros. O país gerou 58.568 vagas formais em julho, um número abaixo das projeções dos analistas financeiros.

Esse dado reforçou a percepção de desaceleração do mercado de trabalho e aumentou as apostas de que o Banco Central poderá diminuir a Taxa Selic (juros básicos da economia) em setembro. As expectativas são de um corte de 0,25 ponto percentual, para 13,75%, com possibilidade de novas reduções em novembro.

A Selic está atualmente em 14% ao ano, enquanto a taxa básica de juros dos Estados Unidos varia de 3,50% a 3,75%. A diferença entre os juros dos dois países é um dos fatores que afetam o fluxo internacional de capitais e, por consequência, o câmbio.

Ibovespa

O Ibovespa, principal índice da B3, também terminou o pregão em alta, embora tenha perdido força após a divulgação do discurso de Warsh. O índice chegou a superar os 176 mil pontos no início da sessão, mas encerrou aos 175.664,62 pontos, com uma alta de 0,30%.

Esse foi o oitavo aumento consecutivo do Ibovespa. Ao longo da semana, o índice acumulou valorização de 2,71%. Contudo, em agosto, ainda registra queda de 1,31%. No acumulado de 2026, a alta já atinge 9,02%.

Os dados da B3 também indicam entrada líquida de recursos estrangeiros na bolsa paulista. Até a última atualização, o saldo positivo nos quatro pregões anteriores somava R$ 1,3 bilhão. No acumulado de agosto, entretanto, o fluxo estrangeiro continua negativo em R$ 18,7 bilhões.

Bolsas estadunidenses

Nos Estados Unidos, os principais índices acionários encerraram a sexta-feira em queda, impactados pela expectativa de uma política monetária mais restritiva do Federal Reserve. O Nasdaq foi o que mais sofreu, após ter avançado mais de 1% na sessão anterior.

O Dow Jones, que reúne empresas industriais, caiu 0,02%, fechando em 53.559,99 pontos. O S&P 500, composto pelas 500 maiores empresas, recuou 0,25%, para 7.711,73 pontos. O Nasdaq, focado em tecnologia, teve uma queda de 0,52%, atingindo 26.402,42 pontos.

A reação dos mercados americanos reflete principalmente a expectativa de que o Fed poderá adotar uma postura mais rigorosa em relação à inflação. O aumento dos rendimentos dos títulos públicos americanos diminuiu o apetite por ativos de maior risco, contribuindo para a queda das bolsas no país.

* Com informações da Reuters

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