O dólar fechou a quarta-feira (22) no menor valor desde 2 de junho. A alta do petróleo, o fluxo de investimentos estrangeiros e o interesse dos investidores pelos juros elevados no Brasil contribuíram para a queda da cotação.
Esse movimento também beneficiou a Bolsa brasileira, que subiu mais de 2% e superou os 177 mil pontos, em um dia em que o petróleo teve alta superior a 3%, impulsionado por tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Números principais
- Dólar à vista: R$ 5,053 (-0,42%)
- Ibovespa: 177.547,57 pontos (+2,44%)
- Petróleo Brent (setembro): US$ 94,07 (+3,36%)
- Petróleo WTI (setembro): US$ 86,83 (+2,95%)
- Dólar no ano: queda de 7,95%
- Ibovespa em 2026: alta de 10,19%
Dólar
O dólar comercial caiu 0,42%, encerrando em R$ 5,053, o menor fechamento desde 2 de junho, marcando a terceira sessão consecutiva de queda. Esse movimento ocorreu devido à entrada de recursos estrangeiros no mercado brasileiro, favorecido pela diferença entre os juros no Brasil e nos Estados Unidos, além da valorização do petróleo.
A moeda chegou a operar em alta no início do dia, mas começou a recuar após a abertura do mercado de ações, acompanhando a forte valorização da bolsa e o desempenho positivo de outras moedas de países emergentes.
A alta do petróleo, com o barril se aproximando novamente dos US$ 95, melhora as perspectivas para a balança comercial brasileira, uma vez que o país é um exportador líquido desse produto.
Apesar da implementação da tarifa de 25% dos Estados Unidos sobre alguns produtos brasileiros e a divulgação de novas medidas de apoio do governo para empresas afetadas, o impacto no câmbio foi contido, pois o mercado já havia precificado esses fatores.
Dados do Banco Central também ajudaram a criar um cenário otimista. O fluxo cambial total acumulado em 2026 até julho ficou positivo em US$ 17,946 bilhões, refletindo principalmente a melhora do fluxo financeiro em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Bolsa
O Ibovespa subiu 2,44%, fechando o pregão em 177.547,57 pontos, seu maior nível desde o dia 10. O índice interrompeu uma sequência de cinco sessões em queda.
O desempenho foi impulsionado principalmente por ações de mineradoras, empresas de petróleo e bancos. As ações da Petrobras, as mais negociadas, acompanharam a forte valorização do petróleo no mercado internacional, fortalecendo o índice.
Os papéis ordinários (com direito a voto) da estatal subiram 2,39%. As ações preferenciais (com prioridade na distribuição de dividendos) avançaram 2,21%.
Segundo analistas, o mercado brasileiro também se beneficiou do retorno do fluxo de investimentos estrangeiros, que buscavam ativos baratos em comparação com as bolsas dos Estados Unidos. Isso ocorreu mesmo com os principais índices de Nova York encerrando o dia em baixa.
Petróleo
Os contratos futuros de petróleo fecharam em alta pela quarta sessão consecutiva, sustentados pela escalada nas tensões entre Estados Unidos e Irã e pelas preocupações com possíveis interrupções no transporte marítimo de petróleo no Oriente Médio.
O barril do tipo Brent para setembro avançou 3,36%, alcançando US$ 94,07, enquanto o barril WTI, do Texas, subiu 2,95%, encerrando a US$ 86,83.
O mercado continua atento aos riscos de bloqueios nos estreitos de Ormuz e de Bab-el-Mandeb, que são rotas estratégicas para o comércio global de petróleo. As ameaças do grupo Houthi no Iémen e novos pronunciamentos de autoridades iranianas intensificaram os medos sobre a oferta da commodity, mesmo após os Estados Unidos divulgarem um aumento nos estoques de petróleo acima do esperado na semana passada.
* com informações da Reuters







