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Pesquisa revela a importância de proteger a soja para prevenir prejuízos.

Estudo mostra necessidade de proteger soja para evitar perdas

Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), em colaboração com a Croplife Brasil, uma associação que representa empresas de biotecnologia, melhoramento genético e defensivos agrícolas, revelou que as lavouras de soja no Brasil poderiam sofrer perdas de até 55% na produtividade se não fossem protegidas contra pragas, doenças e plantas daninhas.

Conforme o estudo, a diminuição da produção pode impactar negativamente a economia do Brasil e os preços dos produtos para os consumidores.

Entretanto, o uso de defensivos químicos é uma estratégia de proteção controversa, uma vez que algumas substâncias empregadas no manejo fitossanitário são prejudiciais ao meio ambiente e à saúde humana, de acordo com dados divulgados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Segundo o Ipea, a soja, junto com o milho e a cana-de-açúcar, é responsável por 76% do uso de agrotóxicos no Brasil.

Doenças nas lavouras

A pesquisa da Universidade Federal de Viçosa simulou quatro doenças (incluindo a ferrugem-asiática e a mancha-alvo), cinco pragas (como a mosca-branca) e nove plantas daninhas.

Os pesquisadores examinaram três cenários: lavouras sem nenhum controle, com controle parcial (que garantiria até 40% de proteção) e com controle ideal (80% de proteção).

A universidade estimou que, com controle ideal, a produtividade por hectare pode alcançar 72 sacas. O controle parcial garantiria uma produtividade de 52 sacas, o que representa uma redução de 28% em comparação com o controle ideal. Na ausência de controle, a produtividade cairia para apenas 32 sacas, resultando em uma perda de 55%.

Com isso, o estudo indica que, para compensar as perdas devido à falta de controle fitossanitário, seria necessário plantar uma área adicional de 33,5 milhões de hectares, quase equivalente ao tamanho do estado de Goiás. A perda média, em um cenário sem manejo, chegaria a 121,3 milhões de toneladas, com um valor estimado de R$ 223,5 bilhões.

Com o cenário de controle ideal, a receita simulada do Brasil com exportações de soja atinge US$ 44,2 bilhões. Sem controle, esse valor recua para US$ 26,6 bilhões, resultando em uma diferença potencial de US$ 17,6 bilhões por safra, segundo a pesquisa.

A redução na oferta poderia levar a um aumento estimado no preço da soja de até 49%.

Isso resultaria em um aumento de aproximadamente 0,26 ponto percentual na inflação oficial, medida pelo IPCA, uma vez que a alta no preço da soja afetaria produtos como óleo, leite e ovos.

“Essa diminuição da produtividade da soja impacta significativamente o preço da soja e a disponibilidade de produtos no mercado final, como óleo de soja e farelo, que é um subproduto da soja. Consequentemente, isso resultaria em mudanças no preço das carnes, incluindo as de porco e frango, que estão todas integradas à cadeia produtiva da soja,” destaca Ana Carolyne Carvalho, pesquisadora da UFV.

O estudo analisa quatro métodos de controle fitossanitário, que podem ser utilizados para prevenir perdas nas lavouras: biotecnologia (como organismos geneticamente modificados), melhoramento genético, bioinsumos e defensivos químicos, além do manejo integrado, que combina dois ou mais desses métodos.

Defensivos

Uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revelou que, de 2003 a 2023, o uso de defensivos químicos, comumente chamados de agrotóxicos, aumentou 4,4 vezes no Brasil, passando de um consumo anual de 180 mil toneladas para 800 mil toneladas.

Dessa forma, o Brasil se tornou o país que mais utiliza agrotóxicos por hectare cultivado, com 10,9 quilos por hectare (kg/ha), quatro vezes mais do que os Estados Unidos (2,85 kg/ha) e cinco vezes mais do que a China (1,9 kg/ha).

“Os defensivos químicos podem apresentar riscos à saúde humana, incluindo efeitos agudos e crônicos, dependendo da toxicidade das substâncias e dos níveis de exposição. No meio ambiente, podem contaminar solos e recursos hídricos e afetar organismos não alvos, como polinizadores e organismos aquáticos, com repercussões para a biodiversidade,” alerta Robson Barizon, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Barizon ressalta que organismos geneticamente modificados podem tanto reduzir o uso de agrotóxicos quanto aumentar suas aplicações.

Isto ocorre porque algumas plantas geneticamente modificadas são resistentes a doenças e pragas, eliminando, assim, a necessidade de defensivos para proteção nesses aspectos.

Por outro lado, algumas variedades OGM também são tolerantes a agrotóxicos, o que pode levar os produtores a aumentarem a dosagem dessas substâncias para garantir uma eliminação eficaz das ervas daninhas que competem com a lavoura.

“No caso dos OGM que foram aprovados para comercialização, não existem evidências científicas sólidas de riscos adicionais à saúde humana decorrentes do seu consumo. Os impactos ambientais em potencial estão mais relacionados às características da modificação genética e às práticas agrícolas utilizadas, como o uso intensivo de herbicidas em culturas tolerantes, que pode favorecer a seleção de plantas daninhas resistentes,” explica Barizon.

O coordenador de Sustentabilidade da Croplife, Pedro Duarte, aponta que o setor se preocupa com a segurança dos químicos utilizados na proteção das lavouras.

“Para que um produto seja autorizado no Brasil, um defensivo químico passa por extensos estudos. Há um grande investimento do setor para assegurar que o produto aprovado seja seguro quando aplicado conforme as recomendações,” afirma Duarte.

Entre 2005 e 2019, foram registrados 3.151 novos agrotóxicos para uso no Brasil, com apenas 20% desse total sendo classificados como de baixa toxicidade, segundo a pesquisa do Ipea.

Após a promulgação da nova Lei dos Agrotóxicos (Lei 14.875/2023), segundo o Ipea, a quantidade de novos registros de defensivos químicos aumentou. Em 2024, foram 663 liberações de novos produtos, superando os 555 registrados em 2023.

Dados do Ministério da Saúde, divulgados pela organização não governamental (ONG) Repórter Brasil, indicam que de 2015 a 2025, foram registrados 73.391 casos de intoxicação por agrotóxico no Brasil, sendo 9.729 apenas no ano passado.

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