O Banco Central (BC) começará a publicar mensalmente um novo conjunto de indicadores sobre reajustes salariais acordados em convenções coletivas de trabalho. Essa iniciativa visa aumentar a capacidade de monitorar as condições do mercado de trabalho e os impactos sobre a inflação.![]()
Baseando-se nas informações do Sistema de Negociações Coletivas de Trabalho (Mediador), do Ministério do Trabalho e Emprego, os indicadores revelarão os percentuais de reajustes acordados e a proporção de acordos que resultaram em aumentos acima, abaixo ou em linha com a inflação.
As estatísticas incluirão os reajustes nominais, que refletem o aumento dos salários em valores correntes, e os reajustes reais, que levam em conta a inflação e mostram se houve um real ganho de poder de compra para os trabalhadores.
A nova base permitirá ao BC monitorar com maior precisão o comportamento das negociações salariais e avaliar de que forma as condições do mercado de trabalho impactam a dinâmica dos salários.
Um estudo divulgado pelo BC indica que os ganhos reais de salário tendem a ser mais prevalentes em períodos de mercado de trabalho aquecido e de baixa taxa de desemprego.
De acordo com a autoridade monetária, essa tendência foi observada entre 2012 e 2014 e voltou a se manifestar a partir de 2023, quando aumentou a proporção de convenções coletivas com reajustes superiores à inflação.
Segundo a análise, os reajustes negociados mantêm uma forte relação com a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).
Ainda que não exista uma obrigação legal de reposição integral das perdas inflacionárias, a inflação acumulada continua a ser uma das principais referências para trabalhadores e empregadores durante as negociações.
Ferramenta adicional
A publicação regular dos indicadores ampliará o conjunto de informações disponíveis para que a sociedade acompanhe a evolução dos salários negociados no país e sua relação com a inflação.
Os dados englobam convenções coletivas de todas as regiões e dos principais setores da economia, como agropecuária, indústria, construção, comércio e serviços, e estarão acessíveis no Sistema Gerenciador de Séries Temporais (SGS) do Banco Central.




