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Brasil expande relações comerciais com a Índia e reinicia conversas sobre tarifas altas.

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Nesta quinta-feira (27), o Brasil deu um passo significativo em sua estratégia de diversificação de parceiros comerciais ao firmar um memorando de entendimento com a Índia. O acordo entre a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e a Confederação das Indústrias Indianas visa conectar empresas, aumentar investimentos e gerenciar oportunidades de negócios entre os dois países.

A ação acontece enquanto o governo federal busca mitigar os efeitos das sobretaxas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Simultaneamente à procura por novos mercados, o Brasil se prepara para retomar as negociações com o governo dos EUA.

Na próxima segunda-feira (31), o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, realizará uma reunião virtual com Jamieson Greer, representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). O chanceler Mauro Vieira também participará da conversa.

Colaboração com a Índia

Firmado na sede da ApexBrasil em Brasília, o documento estabelece o intercâmbio de informações sobre os mercados dos dois países, a troca de melhores práticas, a promoção de feiras e o incentivo à internacionalização de pequenas e médias empresas. Vale destacar que o acordo não possui caráter vinculante e, portanto, não gera obrigações para as partes envolvidas.

O intuito é fortalecer a interação entre empresas brasileiras e indianas, criando uma base institucional para projetos conjuntos voltados à atração de investimentos e à facilitação de negócios.

A meta é que o comércio bilateral atinja a marca de US$ 20 bilhões até 2030. No ano anterior, as exportações brasileiras para a Índia somaram quase US$ 7 bilhões, o maior valor em duas décadas. As importações brasileiras de produtos indianos ultrapassaram US$ 8,4 bilhões.

Atualmente, a Índia ocupa a décima posição entre os principais destinos das exportações brasileiras, enquanto o Brasil se posiciona como o 26º fornecedor no mercado indiano.

Comércio Brasil-Índia

•    Meta de comércio bilateral até 2030: US$ 20 bilhões
•    Comércio Brasil-Índia em 2025: US$ 15,2 bilhões
•    Exportações para a Índia em 2025: US$ 6,9 bilhões
•    Importações de produtos indianos em 2025: US$ 8,4 bilhões
•    Crescimento da relação comercial nos últimos anos: 82%
•    Oportunidades para produtos brasileiros identificadas pela ApexBrasil: 378
•    Linhas de produtos (tipos e subtipos) no acordo de preferências Mercosul-Índia: 450

Diversificação de mercados

Segundo o ministro Márcio Elias Rosa, a ampliação das relações comerciais com diversos países se tornou uma diretriz do governo federal diante do atual cenário do comércio internacional.

“O Brasil tem buscado diversificar seus mercados, acessando novos mercados de forma intensa. A Índia é um exemplo disso: a necessidade de conquistar novos mercados e a necessidade de ampliar a relação comercial. Com a Índia, o crescimento é extraordinário.”

Conforme o ministro, a relação comercial entre Brasil e Índia ampliou-se em 82% nos últimos anos. O governo também pretende intensificar o atual acordo de preferências tarifárias entre Mercosul e Índia, que atualmente abrange 450 linhas de produtos, com classificação específica por códigos de produtos, tipos e subtipos.

A ApexBrasil ainda identificou 378 oportunidades para produtos brasileiros no mercado indiano. A agência apoia cerca de 10 projetos estratégicos voltados para o país asiático, incluindo iniciativas em colaboração com entidades ligadas ao agronegócio.

Setores estratégicos

A aproximação entre os dois países abrange setores considerados estratégicos, como indústria farmacêutica, bioenergia, biocombustíveis, fertilizantes e dispositivos médicos.

Outro eixo de interesse é a exploração de minerais críticos. O governo brasileiro busca ampliar parcerias internacionais nessa área, defendendo que os projetos estejam associados ao desenvolvimento de tecnologia nacional.

“O Brasil deseja estabelecer parcerias para a exploração de minerais críticos com todos os países, sem jamais prejudicar ou favorecer nenhum em particular”, destacou Rosa.

A estratégia também pode beneficiar o agronegócio brasileiro, que procura aumentar sua presença nos mercados internacionais e diminuir a concentração das exportações em destinos específicos.

Negociação com os EUA

Enquanto estende a aproximação com a Índia, o governo brasileiro também se prepara para a primeira reunião com representantes dos Estados Unidos desde a imposição de novas tarifas.

Conforme Rosa, a conversa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na semana passada foi crucial para a reabertura das negociações, sem que o Brasil precisasse apresentar concessões unilaterais antecipadamente.

Na reunião de segunda-feira, segundo Márcio Elias Rosa, poderão ser discutidas listas de exceções tarifárias e a possibilidade de implementação da Lei de Reciprocidade.

O governo afirma que continuará a adotar medidas para proteger as empresas brasileiras impactadas pelas sobretaxas estadunidenses, incluindo o programa Brasil Soberano, criado como um mecanismo de apoio aos setores afetados.

Defesa da soberania

Embora reconheça que a negociação será desafiadora, o ministro assegurou que o governo pretende manter uma posição de defesa dos interesses brasileiros.

“Um negociador pessimista perde. Então, sou otimista. É claro que será um diálogo difícil. Nós não nos proporemos nada que não favoreça os interesses brasileiros. Jamais aceitaríamos algo que pudesse prejudicar a economia nacional.”

Dessa forma, a estratégia do governo combina tentativas de mitigar os efeitos das medidas comerciais dos Estados Unidos com a abertura de novas frentes para exportações, investimentos e cooperação econômica. A Índia se destaca nesse contexto como um dos mercados prioritários para a expansão da presença comercial brasileira.

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