A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) apresentou recentemente recomendações de políticas sustentáveis para o setor agrícola, além de sugestões de prioridades para candidatos a cargos legislativos e executivos nas eleições de outubro.![]()
A publicação é fundamentada em evidências científicas e defende o aumento e a estabilidade dos investimentos em ciência, tecnologia, inovação e inclusão socioprodutiva.
O documento Agenda estratégica para agricultura do Brasil: contribuições de pesquisa e inovação pode ser acessado no site da empresa, que é ligada ao Ministério da Agricultura e Pecuária.
Os especialistas da Embrapa reconhecem que a agricultura desempenha um papel estratégico para o Brasil, devido à sua contribuição para a economia, à relação com a segurança alimentar e à necessidade de adaptação às mudanças climáticas, transição energética e desenvolvimento territorial.
Segundo os autores, os conteúdos podem apoiar programas de governo e iniciativas legislativas relacionadas ao setor agropecuário.
Economia do agro
O documento sublinha a significância do agronegócio brasileiro. Conforme a Embrapa, o Produto Interno Bruto (PIB) do agro alcançou R$ 3,2 trilhões em 2025,
No ano passado, as atividades rurais empregaram 28,4 milhões de pessoas e o Brasil exportou US$ 169,2 bilhões (quase R$ 900 bilhões), representando 48,5% do total das exportações do país.
A Embrapa trabalha, entre outras atividades, no melhoramento genético de sementes para aumentar a resistência a estresses ambientais, como seca, calor, excesso de água e salinidade.
De acordo com os cálculos da empresa, cada real investido na Embrapa gera um retorno de R$ 27,12 para a sociedade brasileira.
Temas estratégicos
A carta de recomendações identifica seis temas estratégicos para a agricultura brasileira:
- Segurança alimentar e nutricional;
- Agricultura sustentável e resiliência às mudanças climáticas;
- Bioeconomia e desenvolvimento sustentável;
- Transição energética e bioenergia;
- Desenvolvimento territorial e inclusão produtiva no meio rural;
- Transformação digital no ambiente rural.
Ao tratar da segurança alimentar, o documento visa reduzir a dependência de insumos importados.
“A falta de investimentos contínuos em pesquisa, inovação e inclusão produtiva aumenta as vulnerabilidades. Amplia a dependência de insumos importados. Eleva a exposição a choques climáticos, sanitários e geopolíticos”, argumenta a Embrapa.
Além disso, a publicação sugere que a agricultura brasileira pode se tornar um modelo de produção sustentável.
“Como uma das principais potências mundiais em agricultura tropical, o Brasil possui condições excepcionais para se afirmar como referência global em produção sustentável e de baixo carbono, equilibrando competitividade, segurança alimentar e conservação ambiental”.
A empresa menciona uma projeção do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indicando que a inação em adotar medidas para enfrentar as mudanças climáticas poderá custar R$ 17,1 trilhões à economia até 2050.
Os especialistas acreditam que aumentando os investimentos em bioenergia, biocombustíveis, biogás, biometano e bioinsumos, o Brasil pode aumentar sua participação nos mercados de economia de baixo carbono, adicionar valor à produção agropecuária, diversificar a matriz energética e estimular o desenvolvimento regional.
“O fortalecimento dessas capacidades permitirá consolidar vantagens competitivas existentes e posicionar o país como referência global em soluções sustentáveis para energia, clima e bioeconomia”, afirmam.
A Embrapa observa que a transformação digital está redefinindo a agricultura em todo o mundo. Avanços como inteligência artificial, Internet das Coisas, sensoriamento remoto, automação, sistemas geoespaciais e agricultura de precisão são mencionados.
“A ampliação da conectividade rural tornou-se uma condição essencial para a modernização da agricultura”, enfatiza.
Executivo e Legislativo
A publicação sugere que a atuação do Poder Executivo na agenda agropecuária deve ser guiada por uma estratégia de desenvolvimento rural sustentável, competitividade econômica, segurança alimentar e inclusão produtiva.
Enquanto isso, o Legislativo deve focar na definição das condições institucionais, regulatórias e orçamentárias. “Sua atuação é crucial para garantir a estabilidade das políticas públicas e a previsibilidade dos investimentos de longo prazo”, ressalta.




