Documento eleva as previsões de inflação e examina os impactos das incertezas no cenário global
A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda manteve a projeção de crescimento da economia brasileira em 2,3% para 2026. A estimativa de inflação, medida pelo IPCA, subiu de 4,5% para 5,1%. Esses dados estão presentes no Boletim Macrofiscal de julho, lançado na quarta-feira (15/7).
O documento também inclui previsões para diversos setores da economia, o resultado fiscal e a dívida pública, além de analisar os riscos associados ao cenário internacional, aos preços da energia e à possibilidade de um El Niño mais forte.
Confira a edição de julho de 2026 do Boletim Macrofiscal
Confira a Apresentação do Boletim MacroFiscal de Julho de 2026
No contexto internacional, a análise indica uma alta incerteza, apesar da diminuição temporária dos riscos mais sérios relacionados ao conflito entre os Estados Unidos e o Irã. A trégua entre as nações reduziu o prêmio de risco sobre a oferta de petróleo, permitindo uma queda momentânea nos preços do petróleo Brent. Entretanto, com a interrupção do cessar-fogo em 8 de julho, o prêmio de risco e os preços do petróleo começaram a subir novamente. A retomada do conflito ocorreu após a data de corte do Boletim Macrofiscal, o que representa um risco de alta para os preços da energia e para a desaceleração do crescimento da economia global.
Nos Estados Unidos, a atividade econômica demonstra resiliência, enquanto a inflação se mantém acima da meta. Esse contexto elevou as expectativas sobre a trajetória de juros, fazendo com que o Federal Reserve (Fed)—banco central dos EUA—adote uma postura cautelosa.
Na Zona do Euro, tem-se observado uma estabilização gradual em meio à inflação persistente. Na China, a melhora do setor industrial e das exportações contrasta com a fragilidade da demanda interna e do setor imobiliário. Na América Latina, as pressões inflacionárias e cambiais levam os bancos centrais a manter cautela. O cenário também abrange os impactos das novas tarifas dos Estados Unidos e a possibilidade de um El Niño mais severo.
Atividade econômica
No Brasil, segundo o Boletim Macrofiscal, a previsão de crescimento da economia para 2026 permanece em 2,3%. A estimativa para a agropecuária subiu de 1,2% para 1,8%, enquanto a previsão para a indústria teve uma leve queda, passando de 2,2% para 2,1%. Para os serviços, a projeção se manteve em 2,4%.
No segundo trimestre, espera-se um crescimento de 0,8% em relação aos três meses anteriores, após uma alta de 1,1% no primeiro trimestre. A projeção para a indústria foi reduzida de 1,2% para 0,8%, e a da agropecuária de 2% para 0,6%. Para os serviços, a estimativa aumentou de 0,5% para 0,7%.
A desaceleração do crescimento é reflexo dos efeitos defasados da política monetária restritiva, com previsão de recuperação no quarto trimestre, com uma maior contribuição da indústria de transformação e da construção civil. Contudo, a intensidade esperada é inferior à estimada anteriormente, devido à expectativa de um ciclo mais curto de corte de juros.
Inflação
As pressões sobre a inflação ao consumidor permanecem elevadas, especialmente por conta dos preços dos alimentos e dos efeitos indiretos decorrentes do conflito no Oriente Médio.
A projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2026 aumentou de 4,5% para 5,1%, refletindo choques de oferta, repasses de preços do atacado para o consumidor e a possibilidade de um El Niño mais intenso, que pode impactar a produção agrícola.
A estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) subiu de 4,6% para 5,3%. Para 2027, a previsão do IPCA aumentou de 3,5% para 3,6%.
Projeções fiscais
As previsões do mercado para o resultado primário de 2026, compiladas pelo Prisma Fiscal, mostraram uma diminuição no déficit estimado em julho, após um aumento registrado em junho.
A mediana projetada para o déficit primário caiu R$ 0,9 bilhão, chegando a R$ 58,1 bilhões, o que equivale a 0,43% do Produto Interno Bruto (PIB). Em junho, a estimativa correspondia a 0,44% do PIB. A revisão considera a expectativa de crescimento da receita líquida em um ritmo superior ao das despesas primárias.
Se as previsões do mercado se concretizarem, o resultado considerado para o cumprimento da meta fiscal seria positivo em R$ 6,3 bilhões, acima do limite inferior do intervalo de tolerância. Esse cálculo inclui deduções de R$ 64,4 bilhões previstas no Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias (RARDP) do segundo bimestre.
No médio prazo, o mercado prevê uma redução gradual do déficit e uma convergência nas previsões da Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG).
Gastos tributários
A edição de julho também traz informações sobre a revisão dos gastos tributários. Dentre as medidas citadas estão a criação da Declaração de Incentivos, Renúncias, Benefícios e Imunidades de Natureza Tributária (Dirbi) e a regulamentação da Lei Complementar nº 224/2025.
A legislação estabelece novos critérios para a concessão de benefícios fiscais e fixa um limite de 2% do PIB para esses gastos.
Perspectivas
O Boletim Macrofiscal mantém a previsão de crescimento de 2,3% para a economia brasileira em 2026, destacando riscos relacionados ao cenário externo, à inflação e aos efeitos da política monetária sobre a atividade econômica.
A evolução do mercado de trabalho, as previsões para as contas públicas e as medidas estruturais também são considerados fatores importantes para o desempenho da economia nos anos seguintes.

