A agenda do desenvolvimento sustentável do país deu mais um passo importante nesta sexta-feira (27/3), com a reunião do Comitê Interministerial da Taxonomia Sustentável Brasileira (CITSB), presidido pelo Ministério da Fazenda. O comitê é a instância máxima da estrutura de governança da Taxonomia Sustentável Brasileira (TSB), que classifica, com base em critérios técnicos e científicos, o que é uma atividade econômica ou investimento sustentável no país.
O CITSB é composto por outros 29 órgãos e instituições públicas, sendo a Casa Civil da Presidência da República, 21 ministérios e 7 autarquias e empresas públicas, como o Banco Central, a Superintendência de Seguros Privados (Susep), a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) e a Caixa Econômica Federal.
“Vários países tiveram como liderança na taxonomia nacional reguladores financeiros. Há uma grande diferença na capacidade de mobilização do governo como um todo, quando parte do próprio Executivo. E dentro do Executivo, sair do Ministério da Fazenda fortalece ainda mais, não como uma agenda ambiental exclusivamente, mas como uma agenda de desenvolvimento”, detalhou o subsecretário de Desenvolvimento Econômico Sustentável do MF, Matias Cardomingo.
Peça fundamental do Plano de Transformação Ecológica do Governo do Brasil, a Taxonomia Sustentável Brasileira (TSB) foi instituída em novembro de 2025, pelo Decreto nº 12.705. Além de atrair capital para projetos com impactos ambientais, sociais e climáticos positivos, a TSB também busca combater o chamado greenwashing – ou lavagem verde, em português —, uma estratégia de marketing na qual empresas promovem seus produtos como ambientalmente responsáveis sem cumprir os critérios reais de sustentabilidade.
Durante a reunião desta sexta-feira, o comitê discutiu as aplicações em curso da TSB, como o desenvolvimento do portal de Monitoramento, Relato e Verificação (MRV), um sistema que está sendo desenhado pelo Serpro para armazenar as informações de operações financeiras rotuladas de acordo com a TSB.
“E, para além disso, a gente vai começar o debate sobre a testagem da TSB, um trabalho junto às instituições financeiras e às empresas listadas em bolsa para que essas instituições apliquem a taxonomia nas suas atividades”, afirmou Matias Cardomingo.
Avanços e inovações
Os primeiros cadernos técnicos da TSB que estabelecem os critérios para classificação de projetos e atividades econômicas, focaram na mitigação e adaptação à mudança do clima e redução das desigualdades, considerando as dimensões de gênero e raça.
Agora, o grupo interministerial trabalha na elaboração de uma segunda edição do documento, que irá priorizar a transição para economia circular, a promoção da biodiversidade e a redução de desigualdades regionais e territoriais.
“Nessa nova etapa da taxonomia, a gente vai aprofundar temas que são de muito interesse do Ministério do Meio Ambiente (e Mudança do Clima), como o caderno específico sobre biodiversidade, que também traz a bioeconomia, assim como aprofundar a parte de agricultura”, afirmou a secretária Nacional de Bioeconomia do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Carina Mendonça Pimenta.
Voz ativa e democrática
Para enriquecer o debate acerca da agenda, o número de integrantes do Comitê Consultivo, que participa do Comitê Interministerial da Taxonomia Sustentável Brasileira, será ampliado de 18 para 26. As novas vagas serão distribuídas entre organizações representantes do setor financeiro, organizações sindicais ou de movimentos sociais, do terceiro setor e do setor acadêmico, de modo a obter maior representatividade destes segmentos e do setor produtivo.
A previsão do Ministério da Fazenda é lançar a 2ª Edição da TSB no final de 2026.
