A secretária extraordinária do Mercado de Carbono do Ministério da Fazenda, Cristina Reis, participou do workshop global sobre a Agenda 2030 e Relatórios Nacionais Voluntários (VNRs), documentos apresentados pelos países à ONU para reportar o avanço na implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). O encontro reuniu representantes de 25 países para troca de experiências sobre financiamento e estratégias de implementação.
A secretária integrou a sessão “Financiamento e Meios de Implementação”, que abordou os instrumentos e recursos necessários para viabilizar os ODS, como financiamento, tecnologia e parcerias. O debate também incluiu referências à Estrutura Nacional Integrada de Financiamento (INFF, em inglê) , modelo que orienta países na organização de diferentes fontes de financiamento, públicas e privadas, alinhadas às suas prioridades de desenvolvimento, além de compromissos internacionais recentes, como o Sevilla Commitment, voltado ao fortalecimento do financiamento sustentável.
Durante sua fala, a secretária destacou o papel do Plano de Transformação Ecológica como eixo estruturante da atuação do Ministério da Fazenda na promoção do desenvolvimento sustentável no Brasil. Segundo ela, a estratégia combina instrumentos regulatórios, fiscais e financeiros com foco na geração de crescimento econômico aliado à sustentabilidade.
“Quando começou o governo, nós pensamos num plano em que o Ministério da Fazenda se dispôs a desenvolver instrumentos de financiamento, regulatórios, fiscais e tributários, sempre com uma preocupação com a sustentabilidade, no sentido da Agenda 2030”, afirmou. A estratégia do governo é usar a transformação ecológica como um vetor de desenvolvimento econômico e social para o país, com melhores empregos e produção de maior valor agregado.
Cristina ressaltou que o conjunto de instrumentos desenvolvidos busca alinhar políticas públicas à mitigação e adaptação climática, ao mesmo tempo em que promove emprego, produtividade e redução de desigualdades. Entre as iniciativas, citou a taxonomia sustentável, os títulos soberanos sustentáveis, o mercado regulado de carbono e o programa Eco Invest Brasil.
“O Eco Invest é um instrumento de investimento misto (blended finance), que combina recursos públicos e privados para ampliar investimentos. Para cada R$ 1 investido pelo Tesouro Nacional, outros R$ 6 foram mobilizados pelo setor privado em um dos leilões”, destacou.
A secretária também enfatizou que esses instrumentos já vêm impulsionando investimentos relevantes em áreas como infraestrutura sustentável, bioeconomia, insdustrialização de baixo carbono e transição energética. “Esses investimentos mostram uma transformação em curso e trazem estímulo e exemplo para o financiamento do desenvolvimento em escala internacional”, afirmou.
Ao final, Cristina reforçou o engajamento do Brasil na agenda internacional de financiamento climático e desenvolvimento sustentável, destacando a atuação do país em fóruns como o G20, BRICS e COP30. “Essas políticas precisam ser sustentadas ao longo do tempo. A transformação ecológica é de médio e longo prazo e exige direcionamento contínuo dos investimentos produtivos”, concluiu.
O workshop integra os esforços das Nações Unidas para apoiar países na elaboração de seus Relatórios Nacionais Voluntários e no aprimoramento dos instrumentos de financiamento necessários à implementação da Agenda 2030.
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