A projeção do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é a referência oficial da inflação no Brasil, subiu de 4,89% para 4,91% neste ano. Essa previsão consta no Boletim Focus desta segunda-feira (11), uma pesquisa semanal do Banco Central (BC) que reúne as expectativas de instituições financeiras para indicadores econômicos principais.
A guerra no Oriente Médio, pressionando os preços dos combustíveis e a inflação, resultou no aumento da previsão para o IPCA pelo nono week consecutivo, ultrapassando a faixa da meta que o BC deve perseguir.
A meta, estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. Portanto, o limite inferior é 1,5% e o superior é 4,5%.
Em março, o aumento nos preços de transporte e alimentação fez com que a inflação oficial do mês alcançasse 0,88%, comparado a 0,7% em fevereiro. O IPCA acumulado em 12 meses ficou em 4,14%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A projeção para a inflação em 2027 se manteve em 4%. Para 2028 e 2029, as expectativas são de 3,64% e 3,5%, respectivamente.
Taxa Selic
Para atingir a meta da inflação, o Banco Central utiliza como principal ferramenta a taxa básica de juros, a Selic, que atualmente está definida em 14,5% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. Na última reunião, realizada na semana passada, o colegiado decidiu, por unanimidade, cortar a Selic em 0,25 ponto percentual, pela segunda vez consecutiva, mesmo diante das tensões relacionadas à guerra no Oriente Médio.
De junho de 2025 até março deste ano, a Selic esteve em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas. O Copom voltou a reduzir os juros na reunião anterior em meio a um cenário de queda da inflação. Contudo, a guerra no Oriente Médio, com o aumento nos preços de combustíveis e alimentos, complicam as ações do Copom.
Na ata da reunião, o colegiado não forneceu indicações sobre a evolução futura da taxa de juros. No documento, o BC mencionou que está monitorando o conflito e os possíveis efeitos de um prolongamento sobre a inflação.
O próximo encontro do Copom para decidir sobre a Selic ocorrerá nos dias 16 e 17 de junho.
Na edição atual do Focus, a previsão dos analistas de mercado para a taxa básica até o final de 2026 permanece em 13% ao ano. Para 2027 e 2028, a expectativa é que a Selic seja reduzida para 11,25% ao ano e 10% ao ano, respectivamente. Em 2029, a taxa deve atingir 10% ao ano.
Quando o Copom aumenta a Selic, o objetivo é conter a demanda aquecida, o que impacta os preços, uma vez que juros mais altos encarecem o crédito e incentivam a poupança. Consequentemente, taxas mais elevadas também podem dificultar o crescimento da economia.
Os bancos levam em conta outros fatores ao definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, margem de lucro e despesas administrativas.
Quando a Taxa Selic é diminuída, normalmente o crédito se torna mais acessível, o que estimula a produção e o consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e favorecendo a atividade econômica.
PIB e câmbio
Nesta edição do boletim do Banco Central, a previsão das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira neste ano se mantém em 1,85%. Para 2027, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) variou de 1,75% para 1,76%. Para 2028 e 2029, o mercado financeiro estima um crescimento do PIB de 2% para ambos os anos.
Em 2025, a economia brasileira registrou um crescimento de 2,3%, segundo o IBGE. Com expansão em todos os setores e destaque para a agropecuária, este resultado marca o quinto ano consecutivo de crescimento.
No Focus desta semana, a previsão do valor do dólar está fixada em R$ 5,20 para o final deste ano. Ao final de 2027, espera-se que a moeda norte-americana alcance R$ 5,30.
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