O Ministério da Fazenda realizou, na quinta-feira (23/4), o evento celebrativo da Taxonomia Sustentável Brasileira (TSB), reunindo autoridades públicas, representantes do setor privado, da sociedade civil, especialistas, organismos internacionais e imprensa. O encontro marcou a conclusão da primeira edição da TSB e o início de sua fase de implementação, consolidando um dos principais resultados do Novo Brasil – Plano de Transformação Ecológica.
Nesta primeira edição, a TSB priorizou três objetivos centrais: mitigação das mudanças climáticas; adaptação a seus impactos; e redução das desigualdades socioeconômicas. De forma inédita no cenário internacional, o instrumento incorporou de maneira transversal os recortes de gênero e raça no Índice de Equidade de Gênero e Raça, posicionando o Brasil como referência global nas finanças sustentáveis.
O subsecretário de Desenvolvimento Econômico Sustentável do Ministério da Fazenda, Matias Cardomingo, destacou que a Taxonomia representa um conjunto de regras que condiciona as atividades econômicas a critérios ambientais e sociais e que, para funcionar, depende de reguladores bem estruturados e tecnicamente capacitados.
“A gente busca construir uma espécie de regramento para esse valor em que a gente precisa observar condições ambientais e sociais para entender quais são os limites dessa possibilidade de acumulação. E isso só é possível com reguladores fortalecidos e capazes de instituir as regras”, disse.
A chefe da Gerência de Sustentabilidade e de Relacionamento com Investidores Internacionais de Portfólio do Banco Central do Brasil, Isabela Damaso, destacou que a TSB representa um avanço para todas as iniciativas já em andamento na instituição. Para ela, o principal diferencial da taxonomia é criar uma linguagem comum, baseada em critérios científicos, que torna as informações de sustentabilidade confiáveis o suficiente para orientar decisões de investimento e de política pública.
“A taxonomia, ao trazer de forma clara uma linguagem comum do que é sustentável ou não, baseada em critérios científicos e informações assertivas, elimina um grau de desconfiança com relação às informações. Para o Banco Central isso é um processo transformador”, reforçou.
Damaso anunciou que, ao longo de 2026, o Banco Central avaliará como integrar a TSB ao seu arcabouço regulatório e que a instituição continua contribuindo para o desenvolvimento do Portal MRV e para o exercício de testagem da primeira fase.
O superintendente de Orientação aos Investidores e Finanças Sustentáveis da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), José Alexandre Vasco, lembrou que a discussão sobre uma taxonomia sustentável brasileira já estava em pauta entre reguladores e ministérios, em 2019 e 2020, e celebrou que essa construção se concretizou com protagonismo do Estado brasileiro.
Para ele, a TSB completa esse ambiente regulatório ao oferecer ao mercado a confiança, algo que lhe é essencial. “A taxonomia traz para o mercado uma âncora de estabilidade e de progresso e prosperidade, à medida que você constrói uma trajetória confiável de que os investimentos feitos contribuem para aqueles objetivos almejados”, destacou.
A secretária Extraordinária de Mercado de Carbono do Ministério da Fazenda, Cristina Reis, apresentou a relação entre a TSB e o Mercado Regulado de Carbono, apontando no Portal MRV e no registro central de emissões os principais pontos de conexão entre as duas políticas. Ressaltou os significados, nacional e internacional, de uma taxonomia que vai além das questões ambientais e inclui critérios de gênero e raça e destacou o Decreto de 31 de outubro de 2025 como o respaldo legal que permite a aplicação gradual da TSB nas políticas públicas federais, das compras públicas à rotulagem de produtos financeiros.
“Nós precisamos nos dedicar muito para que a taxonomia possibilite realmente a mitigação, a adaptação e a redução de desigualdades. Continuamos com pressa — uma pressa cautelosa, no sentido de ser tecnicamente embasada, cientificamente robusta, além de transparente e legítima”, destacou.
Próximos passos
A conclusão da primeira edição da TSB não representa um ponto final, mas o início de uma nova etapa. O Ministério da Fazenda comprometeu-se a avançar na implementação gradual do instrumento, com foco em transparência, previsibilidade e diálogo contínuo com o setor privado e a sociedade civil.
O evento evidenciou que o Brasil construiu, nos últimos anos, uma estrutura regulatória e institucional sólida para liderar a transição para uma economia sustentável, justa e inclusiva. A Taxonomia Sustentável Brasileira representa o resultado desse esforço coletivo e ponto de partida para uma nova geração de políticas de finanças sustentáveis no país.
Com o compromisso conjunto do Ministério da Fazenda, do Banco Central, da CVM e de parceiros nacionais e internacionais, a TSB avança como instrumento central da Transformação Ecológica brasileira, sinalizando continuidade, transparência e comprometimento de longo prazo com os desafios climáticos, sociais e econômicos do país.
Link da noticia – Ministério da Fazenda
![23/04/2026 - [SEMC] Implementando a Taxonomia Sustentável Brasileira](https://live.staticflickr.com/65535/55226110311_07a5bf13b6.jpg)