O Tesouro Nacional divulgou, nesta quarta-feira (28), o resultado do 3º Leilão do Programa Eco Invest Brasil, voltado à ampliação do financiamento de empresas inovadoras e aceleração da transição ecológica no país. A demanda alcançou potencial de mobilizar cerca de R$ 80 bilhões em investimentos em participação societária (equity) a partir de R$ 24 bilhões em recursos públicos. Do total demandado, foram homologados R$ 15 bilhões em capital catalítico público, volume capaz de viabilizar cerca R$ 53 bilhões em investimentos em equity.
O Programa Eco Invest Brasil é uma iniciativa do Governo Federal para impulsionar investimentos privados sustentáveis e atrair capital externo para projetos de longo prazo, oferecendo instrumentos de proteção contra a volatilidade do câmbio. Com mecanismos financeiros inovadores, o programa viabiliza projetos estratégicos para a indústria verde, recuperação de biomas, infraestrutura para lidar com os efeitos das mudanças do clima e de inovação tecnológica para a Transformação Ecológica.
O montante viabilizado pelo leilão permitirá investimentos de longo prazo no país, voltados ao apoio a empresas de base tecnológica e ao fomento a startups e negócios em expansão com projetos que integrem inovação, sustentabilidade e desenvolvimento econômico, no âmbito de estratégias de private equity (empresas em expansão) e venture capital (iniciativas em estágio inicial).
Confira o Relatório de Pré-Alocação Consolidado do 3º Leilão do Programa Eco Invest Brasil
Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o resultado representa uma mudança de patamar para o mercado brasileiro de investimentos em participação societária. Para Haddad, o desempenho também foi impulsionado pelo mecanismo inédito incorporado na edição, o hedge cambial, que ofereceu ao investidor um instrumento de proteção parcial contra as variações do real.
“Estamos falando de um montante inédito até então e não apenas no âmbito do Programa, mas no mercado como um todo. Esse resultado muda o ponteiro dos mercados de private equity e venture capital no Brasil. Com esse nível de capital, aliado à proteção cambial e a um desenho de risco bem calibrado, a tese do hedge cambial se concretiza e o mercado ganha previsibilidade para operar valores maiores e ampliar o apetite por projetos de inovação alinhados à transformação ecológica”, destacou.
Com base em dados da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP), considerando um período de 12 meses, as propostas homologadas neste Leilão do Eco Invest equivalem a 32,5% do investimento total em private equity e venture capital no Brasil entre outubro de 2024 e setembro de 2025, o que indica a capacidade do Programa de influenciar de forma concreta a dinâmica de investimentos no país.
Nesta edição, 6 instituições financeiras foram vencedoras. O Itaú liderou as propostas e deve responder por 50% do investimento total homologado, com uma carteira de quase R$ 30 bilhões. Na sequência, destaca-se a Caixa, com um portfólio de investimentos de R$ 9 bilhões. Também tiveram lances homologados Bradesco, HSBC, BNDES e Banco do Brasil, reforçando o engajamento do sistema financeiro na agenda de financiamento da transição ecológica.
A alocação dos recursos segue as premissas do Plano de Transformação Ecológica – Novo Brasil, direcionando capital para atividades em que o Brasil possui vantagem competitiva. Projetos de Transição Energética concentraram 64,5% das propostas homologadas, seguidos por Bioeconomia (16%), Infraestrutura Verde para Adaptação (10,4%) e Economia Circular (9,1%), setores que contribuem para a diversificação produtiva, o desenvolvimento regional e a resiliência da economia brasileira.
Atuação integrada
Para a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, o resultado evidencia a convergência entre política ambiental, inovação e desenvolvimento econômico e reforça a relevância de instrumentos econômicos para acelerar a transição ecológica no país.
“O Eco Invest Brasil exemplifica a atuação integrada do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima com o Ministério da Fazenda, o Tesouro Nacional, o BNDES e parceiros internacionais para alavancar investimentos privados a partir de recursos públicos. A iniciativa tem como base o Fundo Clima, que saiu do patamar de cerca de R$ 400 milhões por ano para R$ 51 bilhões, já considerando o orçamento de 2026, com recursos do Governo do Brasil, ampliando de forma expressiva a capacidade de indução do Estado. Na mesma direção, o Eco Invest já ultrapassa R$ 127 bilhões em potencial de mobilização de recursos para a transição ecológica, evidenciando o apetite do setor privado por projetos sustentáveis e inovadores”, afirmou.
No recorte por tipo de projeto, a carteira homologada reflete a diretriz do Eco Invest de direcionar recursos para atividades mais intensivas em inovação e geração de valor. Entre as iniciativas, destaca-se a intenção de alocação em produção de combustível sustentável de aviação (SAF) e as cadeias de baterias e veículos elétricos, que concentraram, respectivamente, R$ 12,2 bilhões e R$ 9,3 bilhões. Essa indicação sinaliza foco em setores estratégicos da transição energética e reforça o potencial do Brasil de assumir protagonismo na economia verde, ao atrair capital e impulsionar tecnologias de maior valor agregado.
O consolidado do 3º Leilão também reforça a integração dos projetos a cadeias produtivas estratégicas, ao incentivar a adoção de contratos de integração e parcerias, como acordos de comercialização e coinvestimento, conectando iniciativas brasileiras a oportunidades e mercados globais na agenda de descarbonização e de tecnologias de maior valor agregado.
Transformação ecológica
Parte do Plano de Transformação Ecológica – Novo Brasil, o Eco Invest Brasil é coordenado pelos Ministérios da Fazenda e do Meio Ambiente e Mudança do Clima, com apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento e da Embaixada do Reino Unido no Brasil.
“O grande sucesso do terceiro leilão do Eco Invest é motivo de orgulho para o Grupo BID, parceiro da iniciativa desde sua concepção, e indica que este é um modelo de incentivo a projetos de desenvolvimento que pode ser escalável”, avalia o presidente do Grupo Banco Interamericano de Desenvolvimento, Ilan Goldfajn.
“Os resultados do terceiro leilão do Eco Invest demonstram o apetite do mercado por instrumentos financeiros bem estruturados que acelerem a transição ecológica. O Reino Unido se orgulha de apoiar iniciativas como esta, que combinam capital público com a mobilização de investimentos privados em escala, fortalecendo setores-chave como a transição energética, a bioeconomia e a economia circular”, destaca a embaixadora do Reino Unido no Brasil, Stephanie Al-Qaq.
A partir do leilão homologado, as instituições financeiras têm até 24 meses para mobilizar capital externo e 60 para realizar os aportes nas investidas, adequando-se às práticas de mercado de investimentos em participação societária. Com três leilões concluídos, o Eco Invest chega a 127 bilhões de reais mobilizados para a transição ecológica.
Link da noticia – Ministério da Fazenda