O estoque da Dívida Pública Federal (DPF) encerrou janeiro em R$ 8,641 trilhões, representando um aumento de R$ 6,03 bilhões em relação a dezembro (R$ 8,635 trilhões). Ou seja, houve alta de 0,07% em termos nominais. Essa variação reflete a apropriação positiva de juros de R$ 74,79 bilhões, movimento neutralizado, em parte, pelo resgate líquido de R$ 68,76 bilhões, conforme dados do Relatório Mensal da Dívida (RMD), referente a janeiro de 2026.
As informações, produzidas pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN), foram detalhadas, nesta quarta-feira (25/02), em coletiva de imprensa virtual, transmitida ao vivo pelo canal do Tesouro Nacional no YouTube.
A Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) teve seu estoque ampliado em 0,26% (termos nominais), ao passar de R$ 8,309 trilhões (dezembro) para R$ 8,330 trilhões (janeiro). Essa movimentação ocorreu devido à apropriação positiva de juros de R$ 88,53 bilhões, que foi em parte neutralizada pelo resgate líquido de R$ 67,02 bilhões.
O estoque da Dívida Pública Federal externa (DPFe) apresentou variação negativa de 4,75% sobre o estoque de dezembro, encerrando janeiro em R$ 310,59 bilhões (US$ 59,39 bilhões). Desse total, R$ 258,97 bilhões (US$ 49,52 bilhões) são referentes à dívida mobiliária e R$ 51,62 bilhões (US$ 9,87 bilhões), à dívida contratual.
Participaram da entrevista o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Helano Borges Dias; o coordenador-geral substituto de Controle e Pagamento da Dívida Pública, Daniel Mário Alves de Paula; o coordenador de Planejamento Estratégico da Dívida Pública, Fausto Vieira; e o gerente de Planejamento Estratégico do Tesouro Direto, Jorge Lenardt Quadrado.
Conjuntura
Em análise de conjuntura, indicando os principais fatores que impactaram na gestão da dívida em janeiro, informações do RMD destacam que riscos geopolíticos e rotação de carteiras para fora dos Estados Unidos beneficiaram países emergentes, com a curva de juros norte-americana apresentando bastante volatilidade no período. No cenário doméstico, a curva de juros local apresentou volatilidade ao longo do mês, reagindo a expectativas quanto à política monetária local e ao cenário externo incerto.
“Em janeiro, os aspectos geopolíticos foram fundamentais para explicar a dinâmica do mercado, em particular as questões relacionadas a Estados Unidos, Venezuela, Irã, Groenlândia. Todo o debate em torno desses temas contribuiu para aumentar a aversão dos investidores ao risco. Com isso, eles acabaram fazendo uma diversificação do portfólio, diminuindo a exposição nos Estados Unidos”, comentou o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública. “Uma diminuição pequena, mas com volume de fluxo bastante significativo para os mercados emergentes”, reforçou.
Sob esse cenário, o CDS Brasil de cinco anos apresentou retração de 5,95% em janeiro, caindo para 130 pontos-base em janeiro. “Domesticamente, tivemos a sinalização do Copom [Comitê de Política Monetária, do Banco Central] na direção que poderia começar a flexibilização da política monetária em março. Isso trouxe ânimo aos agentes”, completou Helano Borges Dias.
Acesse material técnico referente ao Relatório Mensal da Dívida de janeiro de 2026
Emissões e resgates
No mês de janeiro, as emissões da DPF corresponderam a R$ 147,17 bilhões, enquanto os resgates alcançaram R$ 215,93 bilhões, resultando em resgate líquido de R$ 68,76 bilhões. Nesse total, houve parcela de R$ 67,02 bilhões referente ao resgate líquido da DPMFi e de R$ 1,74 bilhão relativa a resgate líquido da DPFe.
Do total das emissões da DPMFi em janeiro, houve R$ 67,28 bilhões de prefixados, R$ 54,84 bilhões remunerados por taxa flutuante e R$ 23,64 bilhões por índice de preços.
Detentores
As Instituições Financeiras permaneceram sendo as principais detentoras dos títulos da dívida, com participação de 31,92% na DPMFi em janeiro, seguidas por Previdência (22,66%), Fundos de Investimento (21,36%) e Não-residentes (10,69%).
Helano Borges destacou, especialmente, o avanço dos não-residentes (de 10,35%, em dezembro, para 10,69%, em janeiro). “Muito em função da realocação das carteiras norte-americanas, contribuindo para entrada de recursos de não-residentes no país”, afirmou Helano Borges Dias.
As Instituições Financeiras seguem como principal grupo entre os detentores da dívida, mas reduziram sua participação no estoque de DPMFi em janeiro, caindo de R$ 2,732 trilhões, em dezembro, para R$ 2,659 trilhões, em janeiro. O segmento de Previdência também reduziu sua fatia, indo de R$ 1,891 trilhão para R$ 1,887 trilhão. Os fundos de investimento subiram de R$ 1,727 trilhão (dezembro) para R$ 1,779 trilhão (janeiro). Destaque, no período, envolveu o grupo dos Não-residentes, que ampliou participação de R$ 859,64 bilhões, em dezembro, para R$ 890,27 bilhões, em janeiro.
Custo médio
O custo médio do estoque da DPF acumulado em 12 meses subiu de 11,85% ao ano, em dezembro, para 12,07% anual, em janeiro. O prazo médio da DPF aumentou de 4,00 anos (dezembro) para 4,03 anos (janeiro).
O custo médio do estoque da DPMFi acumulado em 12 meses subiu de 12,65% ao ano (dezembro) para 12,76% anual (janeiro).
O custo médio do estoque da DPFe apresentou crescimento, saindo do patamar de -4,92% ao ano, em dezembro, para -3,79% ao ano, em janeiro. Isso reflete, principalmente, a depreciação do dólar em relação ao real de 4,95%, em janeiro de 2026, contra a depreciação de 5,85% verificada no mesmo período do ano passado.
Colchão de liquidez
A reserva de liquidez apresentou redução, em termos nominais, de 8,59%, passando de R$ 1,187 trilhão, em dezembro, para R$ 1,085 trilhão, em janeiro. Com isso, em janeiro, o índice de liquidez correspondeu a 6,77 meses de pagamentos futuros da dívida (acima, portanto, do nível prudencial, de três meses de vencimentos à frente).
“É um valor bastante confortável. No passado, as condições permitiram e o Tesouro fez um esforço grande de recompor o índice de liquidez, se preparando para potenciais volatilidades que possam ocorrer no futuro e para maturações mais à frente”, disse o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública.
Tesouro Direto
O Tesouro Direto (TD) contabilizou vendas de R$ 12,02 bilhões e resgates de R$ 7,14 bilhões em janeiro, resultando em emissão líquida de R$ 4,88 bilhões no período.
Janeiro, portanto, registrou “o maior valor em vendas de toda a série histórica, com R$ 12 bilhões em investimentos”, informou o gerente de Planejamento Estratégico do Tesouro Direto. O mês passado também teve o segundo maior volume de emissões do programa em toda a série histórica (ficando atrás somente dos R$ 5,9 bilhões registrados em dezembro de 2025), informou Jorge Lenardt Quadrado.
O título mais demandado no período foi o Tesouro Selic (48,90%).
O estoque do Tesouro Direto alcançou R$ 220,24 bilhões no mês passado, alta de 3,28% em relação a dezembro. Os títulos indexados à inflação representaram 50,59% do estoque. As operações até R$ 5 mil responderam por 77,53% das compras no Tesouro Direto no período.
O Tesouro Direto registrou 3,45 milhões de investidores ativos (variação de 14,73% nos últimos 12 meses) no mês passado, com 18.061 novos investidores ativos no período.
Quadrado também lembrou que estão abertas as inscrições para a OLITEF 2026. A Olimpíada do Tesouro Direto de Educação Financeira é voltada para escolas com turmas do 6º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio, mesmo que atuem só no Ensino Fundamental ou só no Ensino Médio. No ano passado, cerca de 13 mil escolas e mais de 1,7 milhão de alunos participaram da Olitef.
Fevereiro
Em análise sobre o cenário internacional em fevereiro, o Tesouro Nacional destaca que, no período, dados robustos da economia norte-americana e a postura hawkish (taxas de juros mais elevadas) do Federal Reserve — Fed, o banco central dos Estados Unidos, reduziram as expectativas de cortes de juros. Por outro lado, preocupações com a IA e a declaração de inconstitucionalidade das tarifas comerciais norte-americanas pela Suprema Corte daquele país ocasionaram incertezas, aponta o Tesouro.
No cenário doméstico, a curva de juros local ganhou pequena inclinação, reagindo às expectativas quanto às políticas monetárias doméstica e externa, além de ter reagido a tensões no cenário geopolítico internacional.
Emissão externa
Destaque na gestão da dívida pública em fevereiro foi o anúncio da emissão de US$ 4,5 bilhões em bônus no mercado norte-americano, com a criação de um novo benchmark de 10 anos, o Global 2036, no valor de US$ 3,5 bilhões, e a reabertura do Global 2056, cujo volume foi ampliado em US$ 1 bilhão.
“As operações foram realizadas com spreads bem baixos. Foram operações bastante eficientes, quando comparadas com as nossas atuações históricas e quando comparadas com os spreads que pagamos sobre as Treasuries de mesma referência. A operação foi muito bem-vista e o volume, muito grande. A despeito disso, a demanda chegou a alcançar quase três vezes o volume ofertado, sinalizando o apetite dos investidores pelos títulos brasileiros”, disse Helano Borges Dias.
O Tesouro informa que o Global 2036 foi emitido com yield (retorno/rendimento) de 6,400% ao ano, equivalente a spread de 220 pontos-base sobre a Treasury [títulos da dívida norte-americana], representando o maior volume já emitido pelo Brasil em um título de 10 anos. Já o Global 2056, com yield de 7,300% ao ano, foi precificado com spread de 245 pontos-base, o menor patamar para um título brasileiro de 30 anos em mais de uma década. O Tesouro reforça que essa emissão externa realizada em fevereiro revelou forte apetite dos investidores pelos títulos brasileiros.
“A operação registrou forte demanda, com livro de ordens atingindo cerca de US$ 12 bilhões (2,7 vezes o volume ofertado) e expressiva participação de investidores da Europa e América do Norte (cerca de 90%). Os resultados reforçam a confiança do mercado internacional na dívida soberana brasileira, contribuem para o alongamento do perfil da dívida, ampliam a base de investidores e consolidam benchmarks estratégicos da curva externa, servindo de referência para emissões corporativas”, destaca o Tesouro Nacional.
Confira abaixo entrevista coletiva concedida pelo Tesouro Nacional sobre o Relatório Mensal da Dívida de janeiro de 2026:
Link da noticia – Ministério da Fazenda