Por segunda semana consecutiva, o mercado financeiro diminui a expectativa de inflação no Brasil para 2026. De acordo com o boletim Focus, divulgado hoje pelo Banco Central, a projeção do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para o ano caiu para 5,16%.
Na semana anterior, a expectativa era levemente maior, em 5,30%. Outros índices projetados pelo boletim para 2026 (PIB, câmbio e Taxa Selic) permaneceram inalterados.
Em relação ao Produto Interno Bruto (PIB, que representa a soma de todos os bens e serviços produzidos no país), a previsão é de crescimento de 1,99% em 2026, mantendo-se igual pela segunda semana. Para 2027 e 2028, as estimativas de crescimento são de 1,65% e 2%, respectivamente.
Ao final de 2026, a expectativa é de que a cotação do dólar chegue a R$ 5,20. Para 2027 e 2028, as previsões são de R$ 5,28 e R$ 5,34, respectivamente.
Taxa Selic
A projeção para a taxa básica de juros (Selic) em 2026 se manteve estável em 14% pela terceira semana seguida.
A taxa atual, definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central em 17 de junho, é de 14,25%. Assim, espera-se uma redução na taxa até o final do ano.
A próxima reunião do Copom está agendada para os dias 4 e 5 de agosto.
As previsões para a Selic em 2027 e 2028 permanecem inalteradas, em 12% e 10,5%, respectivamente.
De junho de 2025 até março de 2026, a Selic estava fixada em 15% ao ano – o nível mais alto desde julho de 2006, quando foi estabelecida em 15,25% ao ano.
Entre setembro de 2024 e junho de 2025, a taxa foi elevada em sete ocasiões.
Copom
Quando o Copom reduz a Selic, a tendência é que o crédito se torne mais acessível, incentivando a produção e o consumo – o que estimula a atividade econômica.
Por outro lado, especialistas consultados pelo Banco Central para o boletim Focus apontam que créditos mais acessíveis podem reduzir os controles sobre a inflação.
Ao elevar a taxa Selic, o Copom torna o crédito mais caro no país, o que motiva a aplicação de recursos em poupança ou renda fixa em vez de consumo. Na visão do mercado, taxas de juros mais altas dificultam a expansão da economia, pois contêm demandas aquecidas.
Para determinar as taxas de juros que aplicam a seus clientes, os bancos também levam em consideração outros fatores, como o risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.
IPCA
Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os preços dos alimentos apresentaram a primeira queda desde novembro de 2025, contribuindo para que a inflação oficial encerrasse junho em 0,16%.
Esse resultado mensal do IPCA é o menor desde outubro de 2025. Os dados de junho indicam que a inflação perdeu força pelo quarto mês consecutivo.
Em maio, a taxa foi de 0,58%. Em 12 meses, o IPCA acumulou 4,64%, ainda acima da meta governamental de 4,5%, porém abaixo do acumulado até maio, que era de 4,72%. Em junho de 2025, o IPCA foi de 0,24%.
A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) finalizou junho em 0,14% e acumula 4,33% nos últimos 12 meses. Esse indicador é relevante para diversas categorias profissionais, pois serve como base para o cálculo de reajustes salariais.
INPC x IPCA
O INPC mede a inflação para famílias com renda de um a cinco salários mínimos, enquanto o IPCA considera lares com renda de um a 40 salários mínimos. Atualmente, o salário mínimo é de R$ 1.621.







