As medidas do Governo para mitigar impactos da alta do petróleo e proteger a economia brasileira — Ministério da Fazenda

12/03/2026 - Anúncio de medidas para diminuição do impacto da oscilação do preço do petróleo

O Governo Federal anunciou um conjunto de medidas emergenciais para mitigar os efeitos econômicos da recente escalada do preço internacional do petróleo, em um contexto de forte instabilidade geopolítica no Oriente Médio e risco de descontrole nos mercados globais de energia. As medidas foram formalizadas por meio da edição de Medida Provisória e de três decretos presidenciais.

O objetivo das medidas é reduzir pressões sobre os preços de combustíveis, transporte e cadeias produtivas, preservar o funcionamento da economia e garantir a estabilidade do abastecimento doméstico. O pacote tem caráter temporário, excepcional e anticíclico, voltado a enfrentar um choque externo de preços que afeta diretamente o custo da energia e da logística no país.

A estratégia combina instrumentos de proteção ao mercado interno, desoneração tributária emergencial e mecanismos regulatórios voltados a mitigar distorções geradas pela forte elevação dos preços internacionais do petróleo. O conjunto de medidas busca proteger consumidores e setores produtivos dos efeitos mais imediatos do choque externo, preservando a previsibilidade econômica e a estabilidade do abastecimento.

Pelas estimativas preliminares do Ministério da Fazenda, o conjunto de medidas mobiliza até R$ 10 bilhões em subvenção ao diesel e uma desoneração temporária de aproximadamente R$ 6,7 bilhões decorrente da redução de PIS/Pasep e Cofins sobre o combustível durante os quatro meses iniciais de vigência da Medida Provisória.

A MP também institui alíquota de 12% de imposto de exportação sobre óleos brutos de petróleo, cuja arrecadação potencial pode alcançar cerca de R$ 15,6 bilhões no mesmo período, a depender das condições de mercado e do volume exportado. As estimativas consideram o período inicial de quatro meses de vigência das medidas.

Subvenção ao diesel para reduzir impacto sobre o transporte

Uma das medidas autoriza a concessão de subvenção econômica à comercialização de óleo diesel de uso rodoviário por produtores e importadores no território nacional.

O objetivo é suavizar o impacto imediato da alta do petróleo sobre o preço do diesel — combustível central para o transporte de cargas e passageiros no país e para o funcionamento de diversas cadeias produtivas.

A política estabelece teto de até R$ 10 bilhões em recursos públicos para financiar a subvenção. O valor efetivo dependerá do volume comercializado e do nível de compensação necessário para atenuar os repasses do aumento internacional de preços ao mercado doméstico.

Desoneração temporária de PIS/Cofins sobre o diesel

O pacote também prevê redução temporária da incidência de PIS/Pasep e Cofins sobre o diesel, com o objetivo de diminuir o custo do combustível no mercado interno.

Considerando que a medida terá duração inicial de quatro meses, a perda de arrecadação projetada é de aproximadamente R$ 6,7 bilhões no período.

A desoneração tem caráter emergencial e busca evitar que oscilações abruptas no preço internacional do petróleo se traduzam em aumentos imediatos no custo do transporte e da logística no país.

Imposto de exportação sobre petróleo bruto

A Medida Provisória também institui alíquota de 12% de imposto de exportação sobre óleos brutos de petróleo, com mecanismo de redução automática a zero caso o preço internacional do petróleo retorne a patamares mais baixos.

O instrumento tem caráter regulatório e temporário e busca mitigar distorções decorrentes do choque internacional de preços, evitando ganhos extraordinários ao longo da cadeia produtiva e incentivando maior direcionamento da produção ao refino doméstico e ao abastecimento interno.

Nesse contexto, parte da renda adicional gerada pela valorização do petróleo no mercado internacional poderá contribuir para estabilizar o mercado doméstico de combustíveis e proteger consumidores e setores produtivos. Dessa forma, a renda extraordinária obtida em função da alta dos preços internacionais poderá ser parcialmente compartilhada com a sociedade brasileira.

Sem controle de preços e com reforço da fiscalização

Importante ressaltar que as medidas não implicam controle de preços de combustíveis. A formação de preços segue ocorrendo em ambiente de mercado.

Os instrumentos anunciados buscam reduzir a transmissão imediata de choques internacionais para a economia doméstica e coibir eventuais práticas abusivas na cadeia de distribuição, preservando a previsibilidade dos agentes, a estabilidade de preços e a suavização do ciclo econômico.

Nesse contexto, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) deverá detalhar critérios para identificar práticas abusivas, como retenção injustificada de estoques ou aumentos incompatíveis com a evolução dos custos.

Resposta emergencial a um choque internacional de energia

A elevação do preço do petróleo amplia a renda das exportações brasileiras de óleo cru, mas também pressiona custos domésticos associados a combustíveis, transporte e cadeias produtivas intensivas em frete.

As medidas respondem a um choque internacional de preços de energia e têm como objetivo reduzir a transmissão imediata desse movimento para a economia doméstica.

Diante desse cenário, o conjunto de políticas busca garantir que choques externos de preços não se traduzam em perdas para consumidores e para o funcionamento da economia, ao mesmo tempo em que parte da renda extraordinária gerada pelas exportações de petróleo pode contribuir temporariamente para estabilizar o mercado interno.

As ações integram a estratégia do Governo Federal de fortalecer a resiliência da economia brasileira diante de períodos de turbulência nos mercados internacionais.

Link da noticia – Ministério da Fazenda