Arrecadação de receitas federais alcança R$ 325,751 bilhões em janeiro de 2026 — Ministério da Fazenda

24/02/2026 - [RFB] Coletiva de imprensa de arrecadação

A arrecadação total das receitas federais alcançou R$ 325,751 bilhões em janeiro, representando alta real (já descontada a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo — IPCA) de 3,56% sobre o resultado do mesmo período de 2026 (R$ 301,164 bilhões). Em termos nominais, houve crescimento de 8,16%. Os valores arrecadados representam o melhor desempenho arrecadatório apurado desde 1995 para meses de janeiro.

As informações foram divulgadas, na terça-feira-feira (24/02), pela Receita Federal do Brasil (RFB) em entrevista coletiva realizada no Ministério da Fazenda, em Brasília. 

Os dados foram apresentados e detalhados pelo chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros (Cetad) da RFB, Claudemir Malaquias; e pelo coordenador de Previsão e Análise da Receita Federal, Marcelo Gomide, auditores-fiscais da Receita Federal. A entrevista ocorreu presencialmente e houve transmissão ao vivo, pelo canal do Ministério da Fazenda no YouTube.

Confira os dados da arrecadação federal de janeiro de 2026

“A arrecadação segue o desempenho da atividade econômica”, comentou Claudemir Malaquias, ao destacar o resultado da arrecadação do mês passado. “É importante destacar que janeiro tem um comportamento um pouco diferente do restante do ano, porque os contribuintes estão apurando o ajuste do Imposto de Renda e da CSLL [Contribuição Social sobre o Lucro Líquido] nesse período, de janeiro a março. Acaba que os valores recolhidos no mês de janeiro são elevados pelo fato pagamento do ajuste, mas também em fevereiro e março”, informou Marcelo Gomide.

Fatores

Na comparação entre janeiro deste ano e igual período de 2025, há uma série de destaques que explicam o desempenho da arrecadação no mês passado, a começar pelo comportamento dos principais indicadores macroeconômicos.

A venda de bens, em dezembro de 2025, subiu 2,84%; a venda de serviços subiu 3,45% e a massa salarial subiu 8,33%, sempre na comparação com dezembro de 2025. Já a produção industrial de dezembro de 2025 caiu 1% na comparação com o mesmo mês de 2024 e o valor em dólar das importações registrou retração de 17,08%. “São indicadores macroeconômicos que determinaram o resultado da arrecadação de janeiro de 2026”, explicou o chefe do Cetad/RFB.

Houve crescimento da arrecadação do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) Capital em razão do comportamento dos Títulos e Fundos de Renda Fixa. A arrecadação de IRRF — Rendimentos de Capital em janeiro deste ano somou R$ 14,683 bilhões, ou seja, alta de 32,56% ante os R$ 11,077 bilhões apurados em igual mês do ano passado. A RFB destaca, adicionalmente, o crescimento da arrecadação decorrente da tributação de Juros sobre o Capital Próprio (JCP).

Também foi verificada elevação da arrecadação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), em razão de alteração na legislação do tributo por meio do Decreto nº 12.499/2025. O recolhimento de IOF no mês passado alcançou R$ 8,009 bilhões, alta de 49,05% sobre os R$ 5,374 bilhões apurados em igual período de 2025.

Houve destaque também para a Receita Previdenciária, que totalizou arrecadação de R$ 63,459 bilhões em janeiro deste ano, representando crescimento real de 5,48% sobre o resultado de janeiro de 2025 (R$ 60,161 bilhões). A Receita Federal explica que tal desempenho reflete o crescimento real de 3,89% na massa salarial, aumento de 7,46% na arrecadação do Simples Nacional e alta de 17,02% no montante das compensações tributárias. “O principal motivo desse crescimento está ligado à massa salarial, que apresentou crescimentos bem expressivos no ano passado”, destacou Marcelo Gomide.

Por outro lado, foi apurada diminuição, em relação a janeiro de 2025, da taxa de câmbio e do volume em dólar das importações, fatores que contribuíram para a redução dos tributos sobre o comércio exterior, destaca a RFB.

Setores

A Receita Federal também apresentou informações sobre a participação das divisões econômicas na arrecadação (pela Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE), exceto receitas previdenciárias. Sob tal critério, a principal origem da arrecadação em janeiro foi das entidades financeiras, com R$ 43,914 bilhões, alta real de 4,78% sobre os R$ 41,912 bilhões em igual mês do ano passado.

O setor de extração de petróleo e gás natural também se destacou, respondendo pela arrecadação de R$ 11,856 bilhões no mês passado, ante R$ 4,812 bilhões em janeiro de 2025 (alta real de 146,4%). Nesse caso, explicou Malaquias, o aumento ocorreu porque uma grande empresa do setor alterou a sua CNAE: antes era de “refino de petróleo” e passou para “extração de petróleo e gás natural”. A escolha da CNAE é uma opção de cada contribuinte. “É ele que escolhe a indicação cadastral que deseja colocar. A orientação é que o CNAE principal seja o mais representativo dentro de seu negócio. Nesse caso, passou de refino para extração de petróleo”, explicou Malaquias, detalhando que essa mudança não gera qualquer alteração na tributação.

Outro destaque envolve o segmento de “atividades de exploração de jogos de azar e apostas”, responsável pela arrecadação de R$ 1,496 bilhão em janeiro deste ano, ante R$ 55 milhões em igual mês do ano passado. É um salto de 2.642%, fruto, principalmente, da regulamentação aplicada sobre o setor.

Receitas Administradas

Considerando dados referentes exclusivamente à arrecadação de receitas administradas pela Receita Federal, o recolhimento de janeiro somou R$ 313,201 bilhões. Isso significa ter havido elevações de 5,21%, em termos reais, e de 9,88%, em termos nominais, sobre o resultado do mesmo mês de 2025 (R$ 285,028 bilhões).

As receitas federais administradas por outros órgãos somaram R$ 12,551 bilhões no mês passado, queda real de 25,53% e nominal de 22,22%, na comparação com os R$ 16,136 bilhões apurados em janeiro de 2025. 

Confira a entrevista coletiva de divulgação do resultado da arrecadação das receitas federais de janeiro de 2026:

Link da noticia – Ministério da Fazenda