Fim da jornada 6×1: prioridade para mais tempo de descanso e para a família.


Mais tempo com a família, para realizar tarefas domésticas, passear e até ter a oportunidade de fazer pequenas viagens. Esses são alguns dos desejos de trabalhadores que enfrentam jornadas semanais de seis dias e têm apenas um dia de folga, caso consigam um dia extra de descanso.

O término da escala 6×1 é a principal bandeira das manifestações de trabalhadores neste feriado de 1º de Maio. Diversas propostas sobre o assunto estão em tramitação no Congresso Nacional neste momento.


Rio de Janeiro (RJ), 30/04/2026 – A balconista de farmácia Darlen Silva, de 38 anos, fala sobre a possibilidade de fim da escala 6x1. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 30/04/2026 – A balconista de farmácia Darlen Silva, de 38 anos, fala sobre a possibilidade de fim da escala 6x1. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Darlen Silva: “Todo mundo está esperando essa regra aí” – Fernando Frazão/Agência Brasil

A balconista de farmácia Darlen da Silva, 38 anos, trabalha em um estabelecimento no Rio de Janeiro e fica com apenas um dia de folga por semana.

“Tenho duas filhas, então a minha folga é bastante corrida. Preciso fazer tudo em casa, lavar roupa, fazer mercado. Não consigo descansar. Venho trabalhar ainda mais cansada no dia seguinte.”

Ela possui carteira assinada há 15 anos e sempre trabalhou sob este regime. “Só ter uma folga é muito puxado para qualquer trabalhador. Especialmente para nós, que somos mães e mulheres. É ainda mais complicado, entendeu? Tem muito mais a fazer.”
Darlen menciona que, entre os colegas de trabalho, a possibilidade de uma redução na jornada é um assunto sempre presente: “Todo mundo está aguardando essa nova regra”.
Caso a proposta seja aprovada, ela já pensa em como seria: “Eu dedicaria um dia para mim, para organizar tudo em casa. E o outro, eu tentaria descansar, fazer algo, um passeio, porque não temos tempo. Você precisa escolher, ou abandona tudo e tenta viver a vida, ou cuida.”
Ela espera, no entanto, que a lei, se aprovada, seja realmente cumprida, respeitando o limite de 40 horas semanais. Conta que tem amigos cujos locais de trabalho já implementaram dois dias de descanso por semana, mas, em contrapartida, aumentaram a carga diária dos trabalhadores.
“Meus colegas estão fazendo 11 horas por dia para se encaixar nesse esquema de cinco dias de trabalho por dois de folga. Entendeu? Então, acaba não compensando. Para mim, não vale a pena. Trabalhar 11 horas cinco dias na semana só te deixa mais cansado.”

Tempo com a família


Rio de Janeiro (RJ), 30/04/2026 – O garçom Alisson dos Santos, que trabalha há dez anos no setor de restaurantes, fala sobre a possibilidade de fim da escala 6x1. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 30/04/2026 – O garçom Alisson dos Santos, que trabalha há dez anos no setor de restaurantes, fala sobre a possibilidade de fim da escala 6x1. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O garçom Alisson dos Santos comenta que poderá até fazer pequenas viagens – Fernando Frazão/Agência Brasil

No Rio de Janeiro, o garçom Alisson dos Santos, 33 anos, trabalha na escala 6×1 há dez anos. Ele relata que geralmente utiliza suas folgas para resolver pendências dele ou de seus filhos.
“Sempre há algo para resolver na escola das crianças, médico, sempre tem algo a fazer. Portanto, o dia de descanso não rende bem. Acaba sempre tendo que fazer as tarefas de casa.”

De acordo com ele, um dia extra de folga poderia até ser utilizado para uma viagem.

“Em um dia, você organiza as coisas de casa e no outro você consegue passear com a família. Ou, se você vai direto do trabalho, dá até para planejar uma viagem. Com apenas um dia, não dá para fazer nada.”

Em São Luís, no Maranhão, a cabeleireira Izabelle Nunes, 26 anos, afirma que não está acompanhando a discussão no Congresso, e que o tema também é pouco debatido em seu ambiente de trabalho. Mesmo assim, ela se declara a favor da iniciativa.

“Acho que todos nós trabalhadores merecemos ter, no mínimo, dois dias de folga. Cuidar dos nossos estudos, saúde, lazer e cultura; trabalhando nessa escala, a gente só se esgota.”

Trabalhando seis dias por semana, Izabelle acrescenta que um dia extra de folga ajudaria bastante na dinâmica familiar e doméstica. “Eu faria tudo que estivesse ao meu alcance. Ficaria mais com minha família.”

A professora Karine Fernandes, 36 anos, diz que tem acompanhado a discussão por meio das redes sociais. Embora não trabalhe na escala 6×1, ela é a favor da redução na jornada.
“Acredito que seja uma discussão relevante, que impacta significativamente a qualidade de vida de muitos trabalhadores.”
Karine afirma que a pauta é fundamental e afeta diretamente a qualidade de vida das famílias.

“Como mãe, considero como isso influencia na vivência de crianças que podem ter mais tempo de qualidade com seus pais, refletindo diretamente no desenvolvimento dos adultos que virão a se tornar.”

Fim da jornada 6×1

A proposta de acabar com a jornada 6×1 é uma das principais metas do governo na agenda trabalhista e já está em trâmite no Congresso Nacional, com expectativa de avanço nas próximas semanas.
Estão em tramitação algumas propostas para abolir essa escala. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/19, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que visa reduzir a carga de trabalho de 44 horas para 36 horas semanais, com a transição ocorrendo ao longo de dez anos.
Outra proposta apensada (PEC 8/25), da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), sugere uma escala de trabalho de quatro dias por semana, limitada a 36 horas no total.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também enviou ao Congresso um projeto de lei (PL) com urgência constitucional para abolir a escala 6×1 e reduzir a carga de 44 para 40 horas semanais. Essa proposta precisa ser votada em até 45 dias, ou o plenário da Câmara ficará bloqueado.



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