O estoque da Dívida Pública Federal (DPF) encerrou fevereiro em R$ 8,840 trilhões, representando aumento de R$ 199,62 bilhões em relação a janeiro (R$ 8,641 trilhões), ou seja, alta de 2,31%, em termos nominais. Essa variação reflete emissão líquida de R$ 125,75 bilhões e apropriação positiva de juros de R$ 73,87 bilhões na DPF, explica o Tesouro Nacional.
Já a Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) teve seu estoque ampliado em 2,17% (termos nominais), ao passar de R$ 8,330 trilhões (janeiro) para R$ 8,511 trilhões (fevereiro). Essa movimentação reflete emissão líquida de R$ 102,81 bilhões e apropriação positiva de juros de R$ 77,76 bilhões na DPMFi.
O estoque da Dívida Pública Federal externa (DPFe) apresentou crescimento de 6,13% sobre janeiro, encerrando fevereiro em R$ 329,65 bilhões (US$ 64,02 bilhões). Desse total, a parcela de R$ 278,97 bilhões (US$ 54,17 bilhões) é referente à dívida mobiliária; outros R$ 50,68 bilhões (US$ 9,84 bilhões) são relativos à dívida contratual.
As informações constam do Relatório Mensal da Dívida (RMD) referente a fevereiro de 2026, produzido pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN). Os dados do material foram detalhados nesta quinta-feira (26/03) em coletiva de imprensa virtual, transmitida ao vivo pelo canal do Tesouro Nacional no YouTube.
Participaram da entrevista o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Helano Borges Dias; o coordenador-geral de Controle e Pagamento da Dívida Pública, Leonardo Martins Canuto Rocha; o coordenador-geral de Planejamento Estratégico da Dívida Pública, Luiz Fernando Alves; e o coordenador-geral do Tesouro Direto substituto, Jorge Lenardt Quadrado.
Conjuntura
Em análise de conjuntura, indicando os principais fatores que impactaram na gestão da dívida em fevereiro, o RMD destaca elementos como preocupações com o valuation [avaliação dos preços de empresas] de Inteligência Artificial — IA; a inconstitucionalidade das tarifas impostas por Donald Trump; além das tensões geradas pela guerra no Irã. O Tesouro explica que esses fatores fomentaram a busca por segurança, mesmo em meio a dados fortes dos Estados Unidos e o tom hawkish [taxas de juros mais elevadas] do Federal Reserve — Fed, o banco central dos Estados Unidos.
No cenário doméstico, a curva de juros local apresentou volatilidade ao longo do mês, reagindo a expectativas quanto à política monetária local e ao cenário externo incerto.
Sob esse cenário, o CDS Brasil de cinco anos apresentou alta de 2,15% em fevereiro, alcançando 132 pontos-base no mês. CDS é o Credit Default Swap, que reflete a percepção de risco dos agentes internacionais. Outros países tiveram oscilações mais intensas na percepção de risco, com altas bem mais fortes: Chile (15,58%), Colômbia (12,93%) e Peru (12,73%), por exemplo, foram mais duramente atingidos pelas instabilidades que marcaram o cenário mundial em fevereiro.
“Fevereiro foi um mês marcado por bastante volatilidade, decorrente principalmente dos movimentos no mercado externo”, comentou o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública. “Isso acabou impactando na percepção de risco dos mercados emergentes. Mas o Brasil teve uma performance relativa melhor e acabou se sobressaindo”, reforçou Helano Borges.
Acesse material técnico referente ao Relatório Mensal da Dívida de fevereiro de 2026:
Emissões e resgates
No mês de fevereiro, as emissões da DPF corresponderam a R$ 166,80 bilhões, enquanto os resgates alcançaram R$ 41,05 bilhões, resultando em emissão líquida de R$ 125,75 bilhões. Nesse total, houve parcela de R$ 102,81 bilhões referentes à emissão líquida da DPMFi e fatia de R$ 22,94 bilhões de emissão líquida da DPFe.
Do total das emissões da DPMFi em fevereiro, houve R$ 86,68 bilhões de prefixados, R$ 30,13 bilhões remunerados por taxa flutuante e R$ 26,43 bilhões por índice de preços.
Com as emissões do mês passado, o Tesouro saiu da posição de R$ 67 bilhões de resgate líquido da DPMFi, em janeiro, para emissão líquida de R$ 40 bilhões, em fevereiro, destacou Helano Borges Dias. “Estamos contribuindo para retirar liquidez do sistema”, explicou.
Detentores
As instituições financeiras permaneceram sendo os principais detentores dos títulos da dívida, com participação de 31,76% na DPMFi em fevereiro, seguidas por Previdência (22,59%), Fundos de Investimento (21,58%) e Não-residentes (10,75%).
As instituições financeiras ampliaram sua participação no estoque de DPMFi, saltando de R$ 2,659 trilhões, em janeiro, para R$ 2,703 trilhões, em fevereiro. O segmento de Previdência também apresentou crescimento, indo de R$ 1,887 trilhão para R$ 1,922 trilhão. Os fundos de investimento subiram de R$ 1,779 trilhão (janeiro) para R$ 1,837 trilhão (fevereiro). Destaque, no período, envolveu o grupo dos Não-residentes, que ampliou participação de R$ 890,27 bilhões, em janeiro, para R$ 914,65 bilhões, em fevereiro.
Custo médio
O custo médio do estoque da DPF acumulado em 12 meses caiu de 12,07% ao ano, em janeiro, para 11,90% anual, em fevereiro. O prazo médio da DPF foi reduzido de 4,03 anos (janeiro) para 4,00 anos (fevereiro).
O custo médio do estoque da DPMFi acumulado em 12 meses também registrou retração, indo de 12,76% ao ano (janeiro) para 12,67% anual (fevereiro).
O custo médio do estoque da DPFe acompanhou o movimento de queda, saindo do patamar de –3,79% ao ano, em janeiro, para –5,76% anual, em fevereiro. Isso reflete, principalmente, a depreciação do dólar em relação ao real de 1,54%, em fevereiro de 2026, contra a apreciação de 0,32% ocorrida no mesmo período do ano passado.
Colchão de liquidez
A reserva de liquidez apresentou alta, em termos nominais, de 9,86%: passou de R$ 1,085 trilhão, em janeiro, para R$ 1,192 trilhão, em fevereiro. Com isso, no mês passado o índice de liquidez correspondia a 6,41 meses de pagamentos futuros da dívida (acima, portanto, do nível prudencial, de três meses de vencimentos à frente).
“É um volume bastante acima do nível considerado prudencial, de R$ 522 bilhões, que corresponde a cobertura de três meses de vencimentos. Temos um índice de liquidez que responde por 6,41 meses”, destacou o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública.
Tesouro Direto
O Tesouro Direto (TD) contabilizou vendas de R$ 8,3 bilhões e resgates de R$ 3,6 bilhões em fevereiro, resultando em emissão líquida de R$ 4,7 bilhões no período.
“A emissão líquida de R$ 4,7 bilhões é bastante positiva. É o quarto maior valor de emissão líquida da série histórica, e isso em um mês com poucos dias úteis, em um resultado bastante interessante”, comentou o coordenador-geral do Tesouro Direto substituto, Jorge Lenardt Quadrado
O título mais demandado no período foi o Tesouro Selic (48,98%).
O estoque do Tesouro Direto alcançou R$ 226,9 bilhões no mês passado, alta de 3,04% em relação a janeiro. Os títulos indexados à inflação representaram 50,48% do estoque. As operações até R$ 5 mil responderam por 75,32% das compras no Tesouro Direto no período.
O Tesouro Direto registrou 3,46 milhões de investidores ativos (variação de 14,23% nos últimos 12 meses) no mês passado, com 2.826 novos investidores ativos no período.
“São números realmente alinhados aos objetivos do programa Tesouro Direto, de levar uma opção de investimentos aos brasileiros, especialmente para os que não têm condições de fazer grandes aplicações e que, muitas vezes, não têm acesso a bons investimentos em instituições financeiras”, reforçou o coordenador-geral do Tesouro Direto substituto.
Quadrado também informou que o Tesouro Nacional está se preparando para realizar o lançamento de um novo título: o Tesouro Reserva, que já está em fase-piloto. Será um produto em operação 24 horas por dia, sete dias por semana. “A expectativa é fazer o lançamento oficial desse novo título nas próximas semanas, muito provavelmente no mês de abril”, afirmou o coordenador.
Março
Em análise sobre o cenário internacional em março, o Tesouro Nacional destaca que, no período, a intensificação das tensões geopolíticas no Oriente Médio elevou a aversão ao risco, enquanto a alta do petróleo reforçou a expectativa de manutenção de juros elevados nas principais economias. O principal ponto de inquietude envolve o preço do petróleo (e sua correlação com os ativos financeiros), comentou Helano Borges.
No cenário doméstico, a curva de juros local ganhou nível, reagindo a expectativas quanto à política monetária local e externa, além de tensões no cenário geopolítico externo, detalha o Tesouro.
Diante da volatilidade dos mercados decorrentes das tensões geopolíticas no Oriente Médio, em março foi reduzido o volume ofertado. Além disso, o Tesouro também atuou extraordinariamente com objetivo de oferecer suporte ao mercado de títulos públicos. Nessa linha de ação, foram movimentados R$ 49,1 bilhões em leilões de compra e R$ 1,7 bilhão em venda, gerando resultado líquido de R$ 47,3 bilhões.
“Esse valor não chega a 4% do total da reserva de liquidez”, destacou Helano Borges Dias. Ele afirmou, ainda, a expectativa do Tesouro de retomar, em breve, o ritmo de emissões. “Nosso objetivo é trazer liquidez para o mercado, para que ele se torne funcional, e ajudar nesse processo de reprecificação. Esperamos que o mercado possa sair do antigo equilíbrio para o novo equilíbrio de uma maneira tranquila”, reforçou o coordenador.
Confira a entrevista coletiva concedida pelo Tesouro Nacional sobre o Relatório Mensal da Dívida de fevereiro de 2026