Home / Noticias / Blog / Dívida Pública aumenta 0,97% em setembro, aproximando-se de R$ 9,4 trilhões.

Dívida Pública aumenta 0,97% em setembro, aproximando-se de R$ 9,4 trilhões.

Dívida Pública sobe 0,97% em setembro e encosta em R$ 9,4 trilhões

A elevação dos juros da dívida pública resultou em um aumento da Dívida Pública Federal (DPF) em setembro. Conforme os dados divulgados nesta quinta-feira (29) pelo Tesouro Nacional, a DPF subiu de R$ 9,293 trilhões em agosto para R$ 9,383 trilhões no mês passado, representando um crescimento de 0,97%.

Em maio deste ano, o indicador já havia ultrapassado a marca de R$ 9 trilhões. Apesar do aumento, a dívida pública permanece abaixo das previsões.

Conforme o Plano Anual de Financiamento (PAF), apresentado em janeiro e revisado em agosto, o montante da DPF deve finalizar 2026 em um intervalo entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões.

A Dívida Pública Mobiliária (em títulos) interna (DPMFi) registrou um crescimento de 1,04%, passando de R$ 8,944 trilhões em agosto para R$ 9,037 trilhões em setembro.

No mês anterior, o Tesouro emitiu R$ 3,78 bilhões a mais do que resgatou, um volume considerado baixo em comparação com padrões históricos. No entanto, a apropriação de R$ 89,29 bilhões em juros evitou uma redução no endividamento.

Através da apropriação de juros, o governo reconhece mensalmente a correção dos juros sobre os títulos e incorpora esse valor ao total da dívida pública. Com a Taxa Selic (juros básicos da economia) em 13,75% ao ano, a apropriação de juros aumenta a pressão sobre o endividamento do governo.

No mês passado, o Tesouro emitiu R$ 189,44 bilhões em títulos da DPMFi. Os resgates em setembro somaram R$ 185,66 bilhões, motivados sobretudo pelo elevado volume de vencimentos de títulos corrigidos pela Taxa Selic, que são os juros básicos da economia.

A Dívida Pública Federal externa (DPFe) apresentou uma queda de 0,82%, passando de R$ 348,26 bilhões em agosto para R$ 345,41 bilhões em setembro. O principal motivo foi a estabilidade do dólar no mês anterior e o pagamento de aproximadamente R$ 3 bilhões.

Colchão

Após uma queda em agosto, o colchão da dívida pública (reserva financeira utilizada em momentos de turbulência ou para lidar com uma grande concentração de vencimentos) aumentou em setembro, passando de R$ 1,208 trilhão em agosto para R$ 1,273 trilhão em setembro.

Atualmente, o colchão é suficiente para cobrir 7,71 meses de vencimentos da dívida pública. Nos próximos 12 meses, é previsto o vencimento de R$ 1,87 trilhão em títulos federais.

Em função do significativo vencimento de títulos vinculados à Selic, a composição da DPF variou da seguinte maneira de agosto para setembro:

  • Títulos vinculados a Selic: 52,74% para 51,6%;
  • Títulos corrigidos pela inflação: 23,22% para 23,59%;
  • Títulos prefixados: 20,31% para 21,14%;
  • Títulos vinculados ao câmbio: 3,74% para 3,67%.

Atualizado em agosto, o PAF projeta que os títulos encerrarão o ano nos seguintes intervalos:

  • Títulos vinculados a Selic: 49% a 53%;
  • Títulos corrigidos pela inflação: 21% a 25%;
  • Títulos prefixados: 20% a 24%;
  • Títulos vinculados ao câmbio: 3% a 7%.

Normalmente, os papéis prefixados (com taxas definidas no momento da emissão) oferecem mais previsibilidade para a dívida pública, pois as taxas são definidas antecipadamente. Contudo, em períodos de instabilidade no mercado financeiro, a emissão costuma cair, pois os investidores exigem juros muito altos, o que comprometeria a gestão da dívida do governo.

No que diz respeito aos papéis atrelados à Selic (juros básicos da economia), esses títulos têm atraído o interesse dos compradores devido aos altos juros estabelecidos pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom). A dívida cambial é formada por antigos títulos da dívida interna corrigidos em dólar, além da dívida externa.

Prazo

O prazo médio da DPF se manteve estável em 4,1 anos. O Tesouro fornece essa estimativa apenas em anos, e não em meses. Esse é o período médio que o governo leva para renovar (refinanciar) a dívida pública. Prazos mais longos indicam maior confiança dos investidores na capacidade do governo de cumprir seus compromissos.

A composição dos detentores da Dívida Pública Federal interna é a seguinte:

  • Instituições financeiras: 31,33% do total;
  • Fundos de pensão: 22,41%;
  • Fundos de investimentos: 22,93%;
  • Não-residentes (estrangeiros): 9,58%
  • Outros grupos: 13,76%.

Com o aumento da tensão no mercado financeiro em setembro, devido à guerra no Oriente Médio, a participação dos não residentes (estrangeiros) diminuiu em relação a agosto, quando era de 9,91%. Uma maior participação de investidores estrangeiros na dívida interna indica mais confiança no Brasil.

Através da dívida pública, o governo capta recursos dos investidores para cumprir com suas obrigações financeiras. Em troca, compromete-se a devolver esses valores em um período determinado, acrescidos de alguma correção, que pode ser baseada na taxa Selic (juros básicos da economia), na inflação, no dólar ou ser uma taxa prefixada (definida previamente).

Link da matéria

Anúncios
Anúncios