Do total de 100 empreendedores no Brasil no ano anterior, 35 possuíam registro no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), representando 10,7 milhões de indivíduos nessa situação. Essa é a maior porcentagem já verificada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).![]()
No ano de 2025, o Brasil contava com 103 milhões de pessoas empregadas, sendo 30,6 milhões consideradas empreendedoras, incluindo tanto empregadores quanto autônomos. Quase 20 milhões (65% desse total) não possuíam CNPJ.
Essas informações fazem parte de uma edição especial da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada nesta quarta-feira (23).
O levantamento é realizado desde 2012, com exceção dos anos de 2020 e 2021, devido à pandemia de covid-19, que impossibilitou a coleta de dados.
Evolução histórica
Em 2012, 24% dos empresários possuíam CNPJ. No último ano antes da pandemia, essa proporção subiu para 29,3%. Em 2024, chegou a 33,6%. O registro no CNPJ traz vantagens ao empreendedor, como emitir notas fiscais, acessar crédito e serviços bancários empresariais, formalizar a contratação de funcionários, além de garantir benefícios previdenciários.
Essa forma de formalização também é benéfica para a economia, uma vez que os trabalhadores contribuem com impostos.
A seguir, apresentamos a evolução da proporção de empreendedores com CNPJ:
| 2012 | 2013 | 2014 | 2015 | 2016 | 2017 | 2018 | 2019 | 2022 | 2023 | 2024 | 2025 |
| 24% | 25,7% | 27% | 28,3% | 28,9% | 28,1% | 29% | 29,3% | 34,1% | 33% | 33,6% | 35% |
Empregadores e autônomos
O IBGE classifica os empreendedores em duas categorias: empregadores ou trabalhadores autônomos. Para o instituto, um trabalhador autônomo é quem opera seu próprio negócio, enquanto um empregador é quem gerencia um empreendimento e possui pelo menos um funcionário.
Entre os empregadores, 81,1% possuem CNPJ. Desde 2019, esse índice se mantém acima de 80%, uma estabilidade que o IBGE considera “em patamar elevado”.
No grupo dos trabalhadores autônomos, a porcentagem é de 27,1%, o maior registro da série histórica. Em 2012, essa taxa era de 15%.
Embora tenha atingido um nível recorde em 2025, o analista da pesquisa, William Kratochwill, comenta que esse índice é considerado “baixo” e está associado ao nível educacional dos trabalhadores.
“O trabalho autônomo, em sua maioria, é realizado por indivíduos com um nível educacional mais baixo”, afirma.
“A taxa de registro está intimamente ligada ao nível educacional. Quanto mais instrução uma pessoa tiver, mais preparada ela estará para o mercado”, completa.
Classificação por escolaridade
Pela primeira vez na história da série, mais da metade (50,8%) dos trabalhadores autônomos com diploma de nível superior tinham registro formal.
Aqueles com ensino médio completo e superior incompleto (29,7%) também superaram a média (27,1%).
Os autônomos com ensino fundamental completo e médio incompleto (18,6%) e aqueles sem instrução ou com ensino fundamental incompleto (11%) têm os menores índices.
Segundo Kratochwill, o aumento do registro no CNPJ entre os autônomos com maior instrução é impulsionado por iniciativas governamentais que visam desburocratização e redução de custos, como o Microempreendedor Individual (MEI).
“É um programa que simplifica o registro, permitindo que as pessoas formalizem suas empresas, abram contas bancárias, realizem operações e recebam pagamentos via Pix ou boleto”, explica.
MEI
O Microempreendedor Individual é a alternativa pela qual o trabalhador pode se formalizar de forma individual, pagando impostos de maneira simplificada e usufruindo de direitos previdenciários, como aposentadoria por idade, invalidez, auxílio-doença, salário-maternidade e pensão por falecimento para os dependentes.
Para se qualificar para o MEI, o trabalhador deve atender a uma série de requisitos, entre os quais: exercer atividades que constam na lista de ocupações permitidas; contratar no máximo um empregado com a remuneração mínima ou um salário mínimo; não ser sócio de outra empresa; e ter faturamento anual de até R$ 81 mil (existem exceções dependendo da atividade).
Atividades
Entre os cinco grupos de atividades analisados, dois apresentaram taxas de formalização por CNPJ superiores à média da economia:
- Comércio, manutenção de veículos automotores e motocicletas: 36,7%
- Serviços: 33,5%
- Indústria geral: 22,8%
- Construção: 14,8%
- Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura: 6,5%
- Associação a cooperativas
A pesquisa do IBGE indica que de 2012 a 2025 houve uma tendência de diminuição na proporção de trabalhadores autônomos e empregadores associados a cooperativas. No início da série, essa parcela era de 6,3%. Em 2025, essa porcentagem caiu para 4,7%.
Sindicalização
A pesquisa revelou uma estabilização na proporção de trabalhadores sindicalizados no país, após uma tendência de queda que se estendeu até 2023.
Em 2012, 16,1% dos ocupados eram filiados a sindicatos. Até 2023, essa taxa diminuiu para 8,4%. Em 2024, houve um leve aumento para 8,9%. Em 2025, o índice se manteve em 8,8%, o que é considerado uma variação dentro da estabilidade, segundo o IBGE. No ano anterior, eram 9,1 milhões de pessoas.
Na análise de longo prazo, o ano de 2017 marca o início de uma queda acentuada na proporção de trabalhadores sindicalizados.
Um dos fatores, segundo o analista da pesquisa, é a reforma trabalhista aprovada naquele ano. Uma das principais mudanças foi a eliminação da contribuição sindical obrigatória.
O pesquisador também sugere que os trabalhadores podem não estar satisfeitos com os serviços oferecidos pelos sindicatos.
“Quando um serviço não atende às expectativas da pessoa, ela tende a deixá-lo de lado, buscando alternativas que satisfaçam suas necessidades”, observa.
Para William Kratochwill, os dados demonstram uma baixa adesão dos jovens à sindicalização, enquanto os trabalhadores mais velhos, a partir dos 40 anos, estão se afastando cada vez mais.
“Os jovens não se interessam pela sindicalização, enquanto os mais velhos estão saindo” conclui.




