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Dólar despenca para R$ 5,10 após manutenção das taxas de juros nos EUA.

Dólar cai para R$ 5,10, após juros serem mantidos nos EUA

O dólar encerrou o dia em baixa, enquanto a bolsa registrou queda nesta quarta-feira (29), em um pregão influenciado pela decisão do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) de manter as taxas de juros entre 3,50% e 3,75%.

O mercado respondeu ao tom mais cauteloso do presidente da entidade, Kevin Warsh, e à divisão de opiniões entre os membros da autoridade monetária americana. Por outro lado, o preço do petróleo aumentou cerca de 7%, impulsionado pelo agravamento das tensões no Oriente Médio.

Principais cifras

  • Dólar à vista: R$ 5,108 (-0,27%);
  • Ibovespa: 173.885 pontos (-1,52%);
  • Petróleo tipo Brent: US$ 88,09 o barril (+7,32%);
  • Petróleo tipo WTI: US$ 84,46 o barril (+6,56%).

Queda no câmbio

A moeda americana permaneceu estável por grande parte do dia enquanto os investidores aguardavam a decisão do Fed. No ponto mais baixo do dia, por volta das 16h20, chegou a R$ 5,09, antes de encerrar a R$ 5,018 (-0,27%).

Após a decisão de manutenção das taxas, que era esperada, o dólar perdeu valor globalmente e acentuou suas perdas durante a coletiva de imprensa de Warsh.

Embora tenha reafirmado o compromisso da instituição com a meta de inflação de 2%, o presidente do Fed também destacou dados recentes positivos sobre o comportamento dos preços, o que foi visto pelo mercado como um discurso menos agressivo.

A decisão, no entanto, foi dividida. Nove membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) votaram pela manutenção das taxas, enquanto Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan propuseram um aumento de 0,25 ponto percentual. Mesmo assim, o mercado continuou a prever uma alta probabilidade de aumento nas taxas na reunião de setembro.

O câmbio também se beneficiou do maior apetite por operações de carry trade, favorecidas pela diferença nas taxas de juros entre Brasil e Estados Unidos. Além disso, a valorização do petróleo melhorou o fluxo de recursos para o Brasil, que é um exportador do produto. Dados internos, como o resultado do Caged e o superávit da balança comercial, ficaram em segundo plano.

Queda na bolsa

Na bolsa brasileira, o índice Ibovespa, da B3, terminou o pregão com uma queda de 1,52%, pressionado principalmente pelo desempenho das ações bancárias.

O cenário externo também afetou os negócios. Apesar da manutenção das taxas pelo Fed, a divisão entre os dirigentes aumentou as incertezas sobre a política monetária americana. O aumento das tensões geopolíticas gerou mais aversão ao risco nos mercados globais.

Em Nova York, o S&P 500 encerrou em queda de 1,55%, refletindo a cautela dos investidores com relação à possibilidade de novos aumentos de taxas nos Estados Unidos.

As ações da Petrobras, que estão entre as mais negociadas, ajudaram a mitigar parte das perdas do Ibovespa, acompanhando a alta dos preços internacionais do petróleo.

Os papéis ordinários (com direito a voto em assembleias) da estatal subiram 2,35%. As ações preferenciais (com prioridade na distribuição de dividendos) aumentaram 1,92%.

Petróleo dispara

O petróleo interrompeu sua sequência de quedas e avançou mais de 7% após o aumento dos confrontos entre os Estados Unidos e o Irã no Oriente Médio.

O barril do tipo Brent para outubro fechou em alta de 7,32%, cotado a US$ 88,09. O petróleo WTI, do Texas, para setembro subiu 6,56%, alcançando US$ 84,46.

Esse movimento foi impulsionado pela intensificação dos confrontos envolvendo forças americanas e grupos apoiados pelo Irã. As declarações do presidente Donald Trump sobre uma resposta militar, juntamente com o risco de uma escalada do conflito em uma das regiões produtoras de petróleo mais importantes do mundo, também contribuíram para essa alta.

Os preços também foram influenciados pela queda dos estoques semanais de petróleo nos Estados Unidos, que foi maior do que o mercado havia previsto.

* Com informações da Reuters

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