PIB do Brasil cresce 0,1% no 3° trimestre e volta ao maior patamar da série histórica

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A economia brasileira voltou a crescer no 3º trimestre de 2023, mas num ritmo bem menor em relação aos três meses anteriores. Esse movimento confirmou as estimativas de desaceleração da atividade, em meio as juros ainda em patamares elevados.

O Produto Interno Bruto (PIB) avançou 0,1% entre julho e setembro, na comparação com os três meses anteriores, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira, 05/12.

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Diante desse número, o PIB brasileiro voltou ao maior patamar da série histórica e opera 7,2% acima do nível pré-pandemia (4º tri/19). O resultado surpreendeu e veio acima do esperado pelo mercado, que aguardava uma retração de 0,2%.

Em valores correntes, o PIB totalizou R$ 2,741 trilhões. No acumulado dos nove primeiros meses do ano, a economia cresceu 3,2% contra o mesmo período do ano passado.

Esse é o terceiro resultado trimestral consecutivo no azul, já que o IBGE revisou os números do 4º trimestre de 2022 para uma queda de 0,1%. Entre abril e junho, a economia brasileira cresceu 1% e no 1º trimestre avançou 1,4%. Os dois dados também foram revisados.

PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB) – BRASIL

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Fonte: IBGE

Para o economista-chefe do banco Master, Paulo Gala, a economia do país mostra resiliência, diante do consumo das famílias e das exportações como impulsionadoras do crescimento (ver mais abaixo). A preocupação fica por conta da queda nos investimentos.

“Embora a notícia do PIB seja positiva ao evitar uma recessão, é essencial observar o desafio no cenário de investimento. O Brasil mostra força como exportador, mas a dependência contínua de commodities destaca a necessidade de diversificação econômica e estímulo ao investimento para garantir um crescimento mais sustentável”.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou logo após a divulgação do PIB que o Brasil vai crescer 3% em 2023.

“Nós atingimos juros muito elevados em julho e o BC começou a cortar as taxas a partir de agosto. Então quero crer que, com as medidas que estamos tomando no Congresso, inclusive a reforma tributária, mais as leis e medidas provisórias que encaminhamos, o brasileiro pode esperar uma economia cada vez mais forte”, disse.

Agropecuária desacelera forte, mas segue em patamar elevado

A desaceleração mais clara da economia brasileira no 3º trimestre veio da Agropecuária, que despencou 3,3% em relação aos três meses anteriores. Essa foi a primeira queda após cinco trimestres de taxas positivas.

Segundo a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, a explicação para o recuo veio com o fim da safra recorde de soja (maior lavoura do país), que está concentrada entre janeiro e março.

“A agropecuária atingiu o seu maior patamar no trimestre passado. Então há a comparação de um trimestre em que há um grande peso da soja com outro em que ela não pesa quase nada. Portanto, essa queda era esperada, mas está sendo um bom ano para a atividade”, explica Rebeca.

No acumulado dos nove primeiros meses de 2023, a agropecuária acumula alta de 18,1%, o que puxa a economia brasileira também para o positivo no ano.

Em relação ao 3º trimestre de 2022, o PIB agro cresceu 8,8%, apoiado pelo aumento das safras de milho (19,5%), cana (13,1%), algodão (12,5%) e café (6,9%).

Serviços e Indústria marcam novo trimestre no positivo

O setor de serviços, que mais emprega no país, seguiu com sua trajetória de crescimento e avançou 0,6% em relação ao 2º trimestre.

Seis das sete atividades pesquisadas pelo IBGE tiveram crescimento, com destaque para atividades financeiras e de seguros (1,3%), imobiliárias (1,3%) e informação e comunicação (1%).

Pelo lado das quedas, o setor de transporte, armazenagem e correio teve baixa de 0,9%, diante de menos fretes para o setor agropecuário. Em relação ao 3º trimestre de 2022, o setor cresceu 1,8% – maior patamar da série histórica e 8% acima do pré-pandemia.

A indústria brasileira cresceu na mesma proporção (0,6%) entre julho e setembro, em relação aos três meses anteriores. A alta foi puxada pelas atividades de eletricidade e gás, água, esgoto e gestão de resíduos, que cresceu 3,6% no período.

Por outro lado, a Construção foi destaque de queda, com recuo de 3,8% no 3º trimestre, em relação ao anterior, e 4,5% com o mesmo período do ano passado.

“Essa atividade cresceu nos dois anos anteriores, mas 2023 não está sendo um ano bom, com juros altos e queda na ocupação, na produção de insumos típicos e no comércio de material de construção”, conclui a pesquisadora do IBGE.

Consumo das famílias avança e investimento cai

O consumo das famílias brasileiras segue em alta e cresceu 1,1% entre julho e setembro, em relação aos três meses anteriores. Essa nova melhora ainda é reflexo de políticas de transferência de renda, como o Bolsa Família e o reajuste do salário mínimo.

A melhora do mercado de trabalho e a desaceleração da inflação também impacta o consumo dos brasileiros de forma positiva. O segmento também está nas máximas da série histórica do IBGE e 5,8% acima do pré-pandemia. Em relação ao mesmo trimestre do ano passado, a alta foi ainda maior, de 3,3%.

O consumo do governo subiu 0,5% no 3º trimestre, em relação ao período imediatamente anterior.

Ainda pela ótica da demanda, os investimentos (Formação Bruta de Capital Fixo) despencaram 2,5%, diante dos juros ainda em patamares elevados. Apesar das recentes queda feitas pelo Comitê de Política Monetária, a Selic segue em 12,25%, patamar restritivo.

Em relação ao mesmo trimestre de 2022, a queda é ainda mais acentuada, menos 6,8%. Segundo o IBGE, a queda na produção interna de bens de capital, se soma a baixa na construção civil e na redução na importação.

“Este é um ponto de preocupação, indicando uma falta de expansão de crédito e investimento no setor produtivo”, afirma Paulo Gala.

Exportação dispara e importação cai forte

O bom desempenho do setor agropecuário, apesar da queda no 3º trimestre, e da indústria extrativa (mineral e petróleo) tem impulsionado as exportações brasileiras.

Entre julho e setembro, os embarques cresceram 10% em relação ao mesmo período do ano passado e de 9,8% no acumulado do ano. Na contramão ficaram as importações, que caíam de 6,1% e de 1,3% na mesma base de comparação.

Essa queda é explicada pela redução na venda de máquinas e equipamentos, produtos químicos e produtos farmacêuticos.            

“Os dados revelam um Brasil consolidando-se como exportador de commodities, seja petróleo, minério de ferro ou soja. Essa tendência é evidente tanto na demanda quanto na oferta, com a agropecuária e a indústria extrativa impulsionando o crescimento”, conclui o economista-chefe do Banco Master.

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