Mercados financeiros hoje: dados de inflação no Brasil e nos EUA guiam negócios

O Gestor

Foto: Pixabay

Os destaques do dia nos mercados são os índices de inflação ao consumidor do Brasil (IPCA) e dos EUA (CPI) em novembro, que podem dar tom aos comunicados das reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) e do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), que iniciam hoje e terminam amanhã.

Há expectativas também pela apresentação do parecer da MP da Subvenção de ICMS, além da votação na Comissão Mista do Orçamento (CMO) da Lei de Diretrizes Orçamentária (LDO) de 2024 e, no Senado, do projeto de tributação das apostas esportivas.

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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, participa de reunião do Conselhão e de anúncio de investimentos de bancos públicos em Estados, no Palácio do Planalto. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encontra também presidente da Câmara, Arthur Lira (PP), e senador Renan Calheiros (MDB) para tratar sobre a situação do Estado de Alagoas, após o rompimento parcial da mina 18 da Braskem.

Bolsas externas à espera de decisões de BCs

Os sinais se mantêm positivos entre os futuros das bolsas de Nova York e na Europa, enquanto os juros dos Treasuries e o dólar recuam. O foco está na divulgação do CPI dos EUA em meio a especulações entre investidores sobre quando começariam ciclos de relaxamento pelos bancos centrais. A persistência da inflação é um dos grandes guias para a política do Fed, Banco Central Europeu (BCE) e Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês), todos com decisões nesta semana.

Para analistas do mercado, o CPI norte-americano poderá provocar algum ajuste nas apostas para a política monetária, mas não deve levar o Fed a mudar de rota nesta semana. O mercado vê como majoritário o cenário de manutenção das taxas à faixa de 5,25% a 5,50% ao ano até a reunião de maio do Fed, quando haveria o primeiro corte, segundo o monitoramento do CME Group na tarde de ontem.

Entre os mercados acionários europeus, Londres tem mais impulso, após a taxa de desemprego no Reino Unido se manter estável, em 4,2% no trimestre até outubro, em linha com o previsto por analistas ouvidos pelo Wall Street Journal. O indicador reforça a chance de corte de juros pelo Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) mais adiante.

Na Alemanha, o índice ZEW de expectativas econômicas subiu a 12,8 em dezembro, mais que o dobro da previsão dos analistas. Na Ásia, o tom positivo predominou também em meio a especulações sobre mais medidas de estímulos por Pequim, após reuniões recentes de autoridades locais.

No Brasil, mercado acompanha também tramitação de medidas no Congresso

O quadro externo mais positivo pode beneficiar os ativos locais na abertura dos negócios em meio a repercussões do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de novembro. Após quatro meses de deflação, o mercado prevê aceleração do IPCA, em decorrência do grupo Alimentação e bebidas.

As votações da pauta econômica do governo no Congresso programadas podem influir também no humor diante do quadro fiscal incerto no país. O ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, indicou que o governo foi surpreendido em “inúmeros aspectos” com o relatório do projeto de lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) apresentado pelo deputado Danilo Forte (União-CE), e que esses pontos serão tratados com o parlamentar ao longo desta semana. Forte prevê que a reserva de cerca de R$ 11 bilhões para emendas de comissão, incluídas em seu relatório, deverá provocar uma guerra entre parlamentares pela administração desses recursos.

Padilha também reforçou que o governo trabalha para manter os vetos ao texto do arcabouço fiscal, e que o Executivo busca um acordo em parte do que foi vetado no projeto que retoma o voto de qualidade do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). O ministro ressaltou ainda que o governo já pagou 75% e quitará até o final do ano 100% do valor das emendas individuais de transferência especial empenhadas, que somam R$ 7,6 bilhões, referindo-se a reclamações de líderes parlamentares por liberação de verbas.

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), disse que o Legislativo pretende se debruçar nas próximas duas semanas em temas como a reforma tributária, a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), a agenda verde, e a “discussão muito dura” que vai haver sobre a medida provisória que trata da subvenção do ICMS. Lira declarou que, após uma reunião com o presidente Lula hoje, pretende se reunir com líderes para decidir como será a pauta da Câmara para debater esses temas. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou ontem que já tem a aprovação do presidente Lula para apresentar uma proposta alternativa ao projeto que desonera a folha de pagamento de 17 setores.

*Agência Estado

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