Inflação sobe 0,28% em novembro com alta no preço dos alimentos

O Gestor

Vendedores e frequentadores na Feira da Ceilândia. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A inflação oficial do país, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), avançou 0,28% em novembro, ante uma alta de 0,24% em outubro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicou nesta terça-feira, 12/12.

Esse é o menor resultado para o mês desde 2018 e veio abaixo do esperado pelo mercado, que previa uma alta de 0,30%.

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Em 12 meses, o IPCA acumula alta de 4,68% – abaixo do teto da meta perseguida pelo Banco Central, que é de 4,75%. A meta deste ano é de 3,25% e será cumprida se o IPCA oscilar entre 1,75% e 4,75%. No ano, a inflação tem alta de 4,04%.

IPCA (Inflação) – MÊS A MÊS

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Fonte: IBGE

Para o economista-chefe da Suno Research, Gustavo Sung, apesar da leve alta em novembro, a inflação segue num cenário positivo e deve terminar o ano com avanço de 4,56%.

“Quando observamos a composição do IPCA, a pressão altista veio de itens mais voláteis como alimentos e passagem área, enquanto as medidas mais importantes como a média dos núcleos, serviços subjacentes e bens industriais seguem em trajetória baixista”.

Em novembro, seis dos nove grupos pesquisados pelo IBGE tiveram alta na inflação. Acompanhe os principais resultados abaixo.

Preço dos alimentos volta a escalar

O maior impacto na alta da inflação em novembro veio do grupo de Alimentação e bebidas, que avançou 0,63%. O resultado é maior que o registrado no mês anterior, quando os preços subiram 0,31% e ocorre após uma sequência de quatro meses de quedas (junho e setembro)

A escalada nos preços veio dos produtos consumidos no domicílio, que subiram 0,75%, puxados pelas altas da cebola (26,59%), batata-inglesa (8,83%), arroz (3,63%) e carnes (1,37%).

Segundo o gerente da pesquisa, André Almeida, o impacto na alta veio dos alimentos conhecidos como in natura.

“As temperaturas mais altas e o maior volume de chuvas em diversas regiões do país são fatores que influenciam a colheita de alimentos, principalmente os mais sensíveis ao clima, como é o caso dos tubérculos, dos legumes e das hortaliças”.

A Alimentação fora do domicílio subiu 0,32%, uma leve desaceleração em relação a outubro (0,42%). A alta da refeição (0,34%) em novembro também foi menos intensa que a registrada no mês anterior (0,48%).

O segundo maior impacto no IPCA de novembro veio de Habitação, que registrou alta de 0,48%. Segundo André Almeida, esse avanço foi influenciado por “diversos reajustes aplicados por concessionárias de serviços públicos”.

A energia elétrica residencial fechou o mês com preços 1,07% mais salgados. As taxas de água e esgoto ficaram 1,02% mais caras.

Passagens aéreas voltam a pressionar Transportes

A inflação do grupo Transportes ficou em 0,27% em novembro, uma desaceleração frente a alta de 0,35% no mês anterior.

A nova alta foi puxada pelo forte avanço no preço das passagens aéreas, que subiram 19,12%, e marcaram o maior peso individual no IPCA do mês passado. Esse foi o terceiro mês seguido de alta com dois dígitos: setembro (13,47%) e outubro (23,70%).

Na contramão, ficaram os combustíveis que tiveram deflação de 1,58% no mês. A gasolina caiu 1,69% e o etanol, 1,86%. Já o óleo diesel (0,87%) e o gás veicular (0,05%) tiveram alta em novembro.

Em 12 meses, os preços administrados (definidos pelo setor público) ainda seguem como foco de pressão na inflação brasileira, com alta de 9,07%. Os preços acumulados de emplacamentos de veículos (21,33%) e da gasolina (11,3%) explicam essa alta.

Black Friday não empolga e preços caem

As vendas da Black Friday não empolgaram em novembro e puxaram os preços de itens muito consumidos nessa época para o negativo. Destaque para as quedas dos grupos de Vestuário (-0,35%), Artigos de residência (-0,42%) e Comunicação (-0,50%).

Núcleos recuam e inflação dos serviços avança

Os núcleos da inflação brasileira, medida que capta a tendência dos preços e exclui choques temporários recuaram para 0,18% em novembro, de 0,26% em outubro, segundo a MCM Consultores.

Em 12 meses, a média dos cinco núcleos também caíram de 4,71% para 4,56%. O resultado segue abaixo do teto da meta perseguida pelo Conselho Monetário Nacional, que é de 4,75%.

Vale lembrar que o resultado desse indicador é um dos principais dados que o Comitê de Política Monetária fica de olho na hora de conduzir a taxa básica de juros. Nesta quarta-feira, 13/12, o Copom tem a última reunião do ano.

“Esse dado é uma boa notícia para o Copom que deve seguir cortando a taxa de juros nas próximas reuniões. Para esta semana, esperamos uma queda de 50 ponto percentual, levando a taxa Selic para 11,75% ao ano

Outro importante item que o Comitê leva em conta é a inflação de serviços, que apresentou uma leve alta de 5,45% para 6,06% na janela de 12 meses, segundo a economista da Órama, Eduarda Schmidt.

“Essa diferença de direção pode ser entendida pela alta em itens mais voláteis, como as passagens aéreas e não significa uma reversão de trajetória. Portanto a leitura da inflação de novembro é benigna”, afirma.

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