Focus: mercado reduz estimativa de inflação em 2023, mas eleva a de 2024

O Gestor

Mercado; Moedas e calculadora no celular. Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O processo de desinflação da economia brasileira voltou a impactar as estimativas do mercado para 2023. No entanto, para o ano que vem, os problemas vindos do exterior – com a escalada dos juros – e as discussões no Brasil de mudanças na meta fiscal, voltaram a pressionar a projeção de inflação.

Os analistas do mercado reduziram a expectativa de inflação neste ano, de 4,63% para 4,59%, segundo o Boletim Focus, do Banco Central, publicado nesta segunda-feira, 13/11.            

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A redução aconteceu após o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), ficar em 0,24% em outubro, ante 0,26% no mês anterior. O resultado também veio abaixo das estimativas do mercado financeiro.

Com a redução, o índice segue abaixo do teto da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional, que é de 4,75%. A meta deste ano é de 3,25% e será cumprida se o IPCA oscilar entre 1,75% e 4,75%.

Para 2024, a projeção de inflação subiu de 3,91% para 3,92% na última semana. Essa piora acontece diante das discussões no governo para uma mudança na meta de déficit zero no ano que vem. Segundo ata do Comitê de Política Monetária, o aumento das incertezas sobre as contas públicas vem pressionando as taxas de juros futuras.

Na semana passada, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que mudar a meta fiscal nesse momento poderia levar o mercado a interpretar que o arcabouço fiscal foi “abandonado” pelo governo.

“A nossa visão é que a meta fiscal já tem muitas previsões para quando você não conseguir cumprir a meta. Portanto, alterar a meta neste momento geraria muita incerteza”, disse.

Há também fatores externos que podem pressionar a inflação, como o conflito no Oriente Médio: que trouxe variações para a taxa de câmbio e o preço do petróleo. E o aperto monetário global com juros mais altos, principalmente nos Estados Unidos, que podem trazer pressões sobre a moeda e impactar a inflação.

Para 2025, a estimativa de inflação permaneceu em 3,50%. Nos dois casos, o IPCA segue acima da meta perseguida pelo BC, que é de 3%.

Selic deve fechar o ano em 11,75%

Os economistas do mercado financeiro seguem com as mesmas estimativas para a taxa básica de juros até 2025. Para 2023, o mercado projeta uma Selic em 11,75% ao ano. Hoje, a taxa básica está em 12,25%.

Para 2024, a estimativa para a taxa básica de juros seguiu em 9,25% ao ano, enquanto em 2025 permanece estável em 8,75%.

O boletim Focus é publicado às segundas-feiras. Foram ouvidas pelo Banco Central mais de 100 instituições financeiras até o fim da semana passada. O relatório é essencial para o investidor corrigir ou confirmar estratégias.

PIB de 2023 deve crescer 2,89%

A expectativa de crescimento para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano ficou em 2,89%.

No 2º trimestre, a economia brasileira cresceu 0,9%, bem acima da estimativa do mercado, segundo o IBGE. Na quinta-feira, 16/11, o BC divulga o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), que é considerado uma prévia do PIB, de setembro.

Para 2024, a previsão de crescimento da economia do país pelo mercado financeiro ficou em 1,50%. Para 2025, manteve-se em 1,90%.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país. O indicador serve para medir a evolução da economia.

Dólar deve fechar o ano em R$ 5

A estimativa para o dólar no fim de 2023 ficou inalterada na semana passada, em R$ 5. Para o fim de 2024, a projeção para a moeda americana subiu de R$ 5,05 para R$ 5,08. Para 2025, foi de R$ 5,10 para R$ 5,11.

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