Em meio à escalada de rendimentos dos treasuries, Fed mantém juros mas não descarta novas altas

O Gestor

Foto: Reprodução - Canal do Federal Reserve, YouTube

Em uma decisão já precificada pelo mercado, o Federal Reserve (Fed) manteve nesta quarta-feira, 01/11, as taxas de juros dos Estados Unidos no intervalo entre 5,50% e 5,75%. Segundo o Banco Central americano, esse é o maior patamar em 22 anos.

Apesar da manutenção pela segunda reunião consecutiva – em decisão unânime – os dirigentes do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) indicaram que podem voltar a subir os juros, a depender da evolução de dados econômicos.

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No comunicado, o Fed informou que o aumento nos rendimentos dos títulos do Tesouro (Treasuries) podem pesar sobre o desempenho da economia e da inflação.

“Condições financeiras e de crédito mais restritivas para famílias e empresas provavelmente pesarão sobre a atividade, as contratações e a inflação”, afirmou num trecho do documento.

Sobre a persistência dos preços ainda em patamares elevados, os membros do BC americano foram firmes. “O Comitê permanece muito atento aos riscos de inflação.”

Em entrevista à imprensa após a divulgação do comunicado, o presidente do Fed, Jerome Powell, afirmou que o comitê ainda não está confiante de que a inflação está no caminho da meta de 2%.

“A evidência de que o crescimento segue persistente e acima do esperado ou de que o mercado de trabalho segue resiliente pode colocar em risco novos progressos na inflação e justificar um maior aperto na política monetária.”

O dirigente do Fed afirmou que ainda há um longo caminho para levar a inflação de volta à meta. “Dado o quão longe chegamos com a incerteza e os riscos que enfrentamos, o comitê está agindo com cautela.”

O economista-chefe da Nova Futura Investimentos, Nicolas Borsoi, acredita que apesar da sinalização, a possibilidade do Fed voltar a subir os juros é remota.

“É um texto mais consistente com o fim de ciclo de alta do que buscando expandir os graus de liberdade para, se necessário, subir os juros na decisão de dezembro”.

Os juros em níveis elevados nos Estados Unidos aumentam a rentabilidade dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) de longo prazo. Esse aumento ajuda a desacelerar a economia norte-americana porque eleva o custo do crédito para famílias e empresas. Portanto, faz o serviço do Fed, que não precisou apertar mais os juros de curto prazo.

Impactos no mercado

O especialista em câmbio da Manchester Investimentos, Thiago Avallone, explica que os juros estacionados em níveis elevado devem continuar a refletir no mercado de ações e no dólar, com a migração de investidores para outros mercados.

“A taxa inalterada por um período maior pode fazer com que o dólar se valorize perante o real e os investidores estrangeiros acabem tirando os seus recursos do Brasil e levando para outros mercados que têm um prêmio maior para os seus investimentos”.

Esse cenário impacta as bolsas de valores de países emergentes, como o Brasil, e faz as moedas perderem valor. O real mais desvalorizado pode criar dificuldades para a queda no ritmo da inflação do país.

No Brasil, os investidores seguem na expectativa pela decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) que será divulgada hoje às 18h30. O mercado aguarda uma nova redução da taxa básica de juros, a Selic, em 0,50 ponto percentual, para 12,25% ao ano.

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