Campos Neto defende meta fiscal e diz que inflação no Brasil ‘bateu no pico’

O Gestor

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, um homem branco, de terno e óculos, segura um microfone

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que a instituição tem apoiado o governo na busca de uma meta de resultado fiscal positivo, ou seja, das contas públicas em equilíbrio.

Em um evento nesta segunda-feira, 02/10, na Associação Brasileira de Câmbio (Abracam), em São Paulo, o mandatário do BC disse que o Brasil tem dificuldade estrutural de cortar gastos públicos e que reformas adicionais podem ajudar a diminuir despesas.

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“Mesmo com todos os ajustes que o Brasil está se propondo a fazer, o despesa geral do governo é bem acima da média da América Latina. Isso mostra essa dificuldade, essa rigidez do orçamento brasileiro e isso influencia os prêmios de risco”.

Segundo o presidente do BC, os agentes financeiros e econômicos apontam que a dificuldade para melhorar a economia vem da falta de uma política fiscal que funcione.

“Eu não entendo que isso seja uma crítica ao governo e sim ao nosso sistema. A gente precisa ter esse endereçamento estrutural na parte fiscal”, concluiu.

Inflação ‘bateu no pico’

Em relação a inflação, Campos Neto voltou a destacar uma melhora na inflação brasileira – com redução dos preços no acumulado de 12 meses. Isso apesar dos recentes aumentos nos preços administrados como combustíveis e energia elétrica.

“A inflação ela bateu num pico e essa volta a gente já esperava, porque tem grande parte do efeito estatístico e um pouco de gasolina. (..) A gente vê alimentação caindo bastante também”.

Segundo o presidente do BC, hoje há uma volatilidade nas expectativas de inflação do mercado “mais por fatores globais do que locais”, tanto que “as expectativas de inflação de 2023, 2024 e 2025 estão mais ou menos dentro da banda da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN)”.

Saída de recursos do país

Questionado sobre uma possível saída de recursos do país, Campos Neto afirmou que não vê essa possibilidade no cenário-base em relação ao diferencial de juros do Brasil na comparação com os Estados Unidos, que está se reduzindo.

“A saída de recursos tem um numerador e um denominador, é uma avaliação de risco e retorno. Então não é só o diferencial de juros que conta, é o diferencial versus a percepção de risco do país”.

No entanto, o presidente do BC afirmou que “preocupa” a continuação do processo de alta dos juros na economia norte-americana.

“Se continuar subindo em algum momento podemos ter uma saída de recursos mais acelerada. Não é isso hoje que está nos preços, no cenário-base, mas a gente viu que a inflação em alguns países mostrou resiliência quando estava em processo de queda, então a gente precisa ir com cuidado”.

Internacionalização do PIX

Em relação a tecnologias de pagamentos, Campos Neto afirmou que o BC tem trabalhado para integrar o PIX a outras plataformas mundiais.

Questionado sobre a segurança, o presidente da autoridade monetária afirmou que tem combatido a abertura do que chamou de contas “laranja”, para reduzir fraudes e golpes no meio de pagamento.

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