Americanas teve prejuízo de R$ 6 bi em 2021 e de R$ 12,9 bi em 2022

O Gestor

Fachada das Lojas Aamericanas

Após onze meses de atraso, a Americanas publicou nesta quinta-feira, 16/11, os resultados financeiros de 2022 e republicou os números de 2021. Esse é o primeiro balanço divulgado pela varejista desde a fraude encontrada nas suas contas em janeiro.

A varejista em recuperação judicial registrou um prejuízo líquido de R$ 12,9 bilhões no ano passado, o dobro do valor de 2021 (R$ 6,23 bilhões). Anteriormente, a empresa havia divulgado lucro líquido de R$ 731 milhões.

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A publicação desses resultados era esperada para segunda-feira, 13/11, mas precisou ser adiada. Na ocasião, a Americanas afirmou que “foi vítima de uma fraude sofisticada”, o que tornou a divulgação “uma tarefa extremamente desafiadora e complexa”.

Segundo a varejista, os números negativos em 2022 refletem o fraco desempenho operacional e a elevada despesa financeira. Em relação ao ano anterior, os valores foram recalculados diante das inconsistências contábeis na ordem de R$ 20 bilhões e das dívidas de R$ 42 bilhões.

Patrimônio e dívida da Americanas

O patrimônio líquido da empresa ficou negativo em R$ 26,6 bilhões no fim de 2022 – também o dobro de 2021 (R$ 12,6 bilhões). Na primeira divulgação de resultados, o número era positivo em R$ 9,48 bilhões. 

De acordo com a Americanas, os maiores ajustes nas demonstrações financeiras vieram nos custo de mercadorias vendidas, nas mudanças feitas nas demonstrações e por conta de efeitos tributários.

A dívida líquida real bateu os R$ 26,3 bilhões no término do ano passado, com a piora no seu caixa, diante da fraude. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ficou negativo de R$ 6,2 bilhões.

“Os contratos de risco sacado e de empréstimo de capital de giro, indevidamente contabilizados na conta de fornecedores, foram reclassificados para endividamento, o que resultou em um aumento de R$ 15,6 bilhões na dívida bruta”, afirma a Americanas.

As receitas somaram R$ 25,8 bilhões em 2022, uma alta de 14,6% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Investidores e credores

Os números do balanço são muito importantes, pois eles vão ajudar a dar base a um possível acordo com os credores.

Segundo uma reportagem do jornal ‘Valor Econômico’, a Americanas e seus bancos credores devem chegar a um acordo em até 15 dias.

Segundo analistas, dois pontos serão analisados com atenção: a condição da dívida e a alavancagem da empresa. Isso porque a fraude aconteceu nas chamadas operações de risco sacado, ou seja, ao invés da varejista fazer os pagamentos aos fornecedores, os bancos é que assumiram esses débitos.

O futuro da Americanas

Segundo as projeções da varejista, seu patrimônio líquido deve voltar a ficar positivo no final de 2025 e sua dívida financeira bruta cairá para R$ 1,5 bilhão.

Esse panorama otimista virá, segundo a empresa, do crescimento nas vendas e do aumento da rentabilidade de clientes da Ame – braço digital da companhia para pagamentos.

No entanto, a empresa destaca que essas perspectivas dependem de fatores como “condições de mercado, desempenho da economia brasileira, do setor e dos mercados internacionais”.

Outras varejistas

Nesta semana, outras duas grandes empresas de varejo divulgaram resultados financeiros preocupantes.

A Magazine Luiza apontou erros em lançamentos contábeis que obrigaram a companhia a reduzir em quase R$ 830 milhões seu patrimônio líquido (diferença entre ativos e passivos).

Segundo a varejista, foram encontradas “incorreções” na forma como eram lançadas no balanço “bonificações em determinadas transações comerciais”. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu um processo administrativo para apurar o balanço da empresa.

A Magalu teve lucro líquido de R$ 331,2 milhões no 3º trimestre de 2023, revertendo o prejuízo de R$ 190,9 milhões do mesmo período do ano passado. No entanto, ao desconsiderar os créditos tributários, houve prejuízo de R$ 143,4 milhões.

As lojas Marisa tiveram um prejuízo líquido de R$ 196,3 milhões no 3º trimestre deste ano, aumento de 92,4% na comparação com o mesmo período de 2022 (R$ 102 milhões).

O principal impacto veio da redução de 20,1% na sua receita líquida, de R$ 634,7 milhões no 3º trimestre de 2022 para R$ 316,4 milhões no mesmo período deste ano.

Vale lembrar que a rede varejista de roupas terminou recentemente um processo de reestruturação. Quase 100 lojas foram fechadas, 90% das dívidas com fornecedores e 97% com revendedores renegociadas.

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